Conflito entre Holanda e China ameaça travar montadoras no Brasil
Restrição de exportação de chips pode parar fábricas, causar demissões em massa e afetar mais de 1 milhão de empregos
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 24/10/2025 às 07:55 | Atualizado em: 24/10/2025 às 07:55
Um novo impasse internacional acendeu o sinal vermelho na indústria automotiva brasileira. O conflito entre a Holanda e a China pela gestão da fabricante de semicondutores Nexperia tem provocado apreensão no setor, que teme novas paralisações nas linhas de produção de veículos por falta de chips — componentes essenciais para os sistemas eletrônicos dos carros modernos.
A tensão começou no mês passado, quando o governo holandês assumiu o controle da Nexperia, uma empresa de capital chinês, alegando preocupações com a propriedade intelectual e a segurança nacional. Em resposta, a China passou a restringir as exportações de semicondutores e outros produtos estratégicos para as montadoras ao redor do mundo.
A possível escassez de chips já preocupa a Europa: a Volkswagen anunciou que pode paralisar parte de sua produção na Alemanha nos próximos dias. No Brasil, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou ao g1 que está “atenta e preocupada com o risco de paralisação da produção de veículos no país devido à escassez crítica de semicondutores”.
Segundo a entidade, os efeitos podem chegar às fábricas brasileiras nas próximas semanas, em um cenário semelhante ao vivido durante a pandemia da Covid-19 — quando o setor registrou layoffs, demissões e longos períodos de inatividade.
“Arrisca parar montadoras no Brasil. Um veículo moderno usa, em média, de 1 mil a 3 mil chips. Sem esses componentes, as fabricantes não conseguem manter a linha de produção em andamento”, alertou a Anfavea em nota.
A associação, que representa um setor responsável por mais de 1,3 milhão de empregos no país, pediu apoio imediato do governo federal para evitar que a crise internacional se transforme em um colapso industrial interno.
“O impacto da falta de semicondutores vai além do setor automotivo, afetando uma gama de segmentos industriais que dependem desses componentes. É urgente que o governo tome medidas rápidas e decisivas para evitar o desabastecimento”, destacou a entidade.
O economista Luiz Carlos Laureano da Rosa, mestre e doutor pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e especialista em indústria automotiva, reforça que o problema tem alcance global e pode provocar graves efeitos sociais e econômicos.
“Depois que o governo holandês assumiu o controle dessa empresa, citando questão de segurança nacional, a China reagiu suspendendo as exportações de chips. Isso interrompe o fornecimento de componentes vitais para toda a cadeia automotiva, afetando fabricantes, empregos e montadoras em todo o mundo, inclusive no Brasil”, afirmou o professor.
Com a crise se desenhando no horizonte, o setor teme reviver um dos períodos mais críticos da história recente da indústria automobilística, quando a falta de semicondutores fez as esteiras das fábricas pararem — e milhares de trabalhadores ficaram sem trabalho.
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Foto: arquivo/Agência Brasil
