Eleições chilenas: disputa aberta e voto sem últimas pesquisas
A candidata de esquerda Jeannette Jara estava à frente no primeiro turno na última pesquisa divulgada em outubro.
Publicado em: 16/11/2025 às 09:03 | Atualizado em: 16/11/2025 às 09:04
O Chile realiza eleições presidenciais neste domingo (16/11) sob uma peculiaridade legal: a proibição de divulgação de pesquisas eleitorais nos 15 dias que antecedem o pleito. Devido à Lei chilena nº 18.700 (Lei Orgânica Constitucional sobre Votações Populares e Escrutínios, promulgada em 1988), os eleitores chegam à véspera sem o cenário atualizado das intenções de voto.
Os chilenos não votarão apenas para presidente; a eleição também renovará a composição do Congresso, com 155 assentos da Câmara e 23 das 50 cadeiras do Senado. Os mandatos são de 4 anos para deputados e presidente, e de 8 anos para senadores.
Cenário Pré-Eleitoral e Candidatos
Nas últimas pesquisas liberadas, registradas no fim de outubro, a candidata da esquerda e aliada do atual governo, Jeannette Jara (Partido Comunista), liderava a disputa. Ela é a única candidata de esquerda com intenções de voto acima de 10%.
Principais Candidatos e Média de Votos (Radar Electoral, 1º de Novembro):
Jeannette Jara – Partido Comunista – Esquerda 28,58%
José Antonio Kast – Partido Republicano – Direita 19,93%
Johannes Kaiser – Partido Nacional Libertário – Direita 15,66%
Evelyn Matthei – União Democrática Independente – Centro-Direita 14,18%
Franco Parisi – Partido do Povo – Direita N/D
A pesquisa AtlasIntel, realizada em outubro, corroborava a liderança da ex-ministra do Trabalho com 32,7%, à frente de Kast (20,1%) e Matthei (13,8%).
Projeção de Segundo Turno e Críticas ao Governo
Embora Jara apareça na frente no primeiro turno, o cenário se inverte drasticamente nas simulações de uma segunda rodada, marcada para 14 de dezembro (caso nenhum candidato atinja 50% mais um dos votos válidos).
As pesquisas de outubro indicam que Jeannette Jara perderia para todos os adversários de direita. Contra José Antonio Kast, que disputou o segundo turno em 2021, a diferença seria de 8 pontos percentuais (47% a 39%), a favor do candidato de direita.
Essa tendência de revés no segundo turno é atribuída, em parte, às dificuldades do atual presidente Gabriel Boric em cumprir promessas de campanha, como a reforma da Constituição — que permanece a mesma da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). O desempenho de Boric tem influenciado negativamente o cenário para a candidata governista.
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Foto: Alejandra De Lucca V./Minsal
