Pix chega aos 5 anos e desbanca uso do dinheiro vivo

Sistema criado pelo Banco Central redefine pagamentos e impulsiona vendas até onde falta internet.

Publicado em: 14/11/2025 às 10:21 | Atualizado em: 14/11/2025 às 10:29

Cinco anos depois do lançamento, o Pix já não é mais só um meio de pagamento: virou comportamento. Em esquinas, avenidas e até onde o sinal mal chega, ambulantes reinventaram a antiga “promessa do fio do bigode” e criaram o Pix da confiança — entregam o produto e acreditam que o cliente pagará depois.

A fórmula funcionou.

Luiz Carlos Coelho, 46, que vende no farol da Zona Oeste de São Paulo, diz que o movimento só deslanchou após adotar o acerto tardio. Hoje, 80% da renda dele — cerca de R$ 120 por dia — cai no celular, muitas vezes horas depois da jornada.

Do outro lado da praça, Welson, 28, vive dinâmica parecida. Na paçoca de R$ 10, 90% das vendas vêm do Pix, mesmo com risco de calote. “Um não paga, mas outro deposita até mais”, conta.

O que esses vendedores fazem virou retrato da revolução econômica provocada pelo sistema instantâneo criado pelo Banco Central, gratuito para pessoas físicas e disponível 24 horas. O Pix superou o dinheiro vivo e acelerou a entrada de milhões de brasileiros de baixa renda no sistema financeiro.

Em seu quinto aniversário, o serviço se firma como o maior instrumento de transferência do País, presente em feiras, semáforos, comércios formais e nos cantos mais improváveis das cidades.

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil