Os Bolsonaro e ala de Trump articulam pressão contra o governo Lula

Movimentações de Eduardo e Flávio Bolsonaro em Washington e visita de assessor de Trump ao Brasil disparam sinais de crise diplomática no Planalto.

Os Bolsonaro e ala de Trump articulam pressão contra o governo Lula

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 11/03/2026 às 11:48 | Atualizado em: 11/03/2026 às 11:48

O Palácio do Planalto monitora com crescente preocupação a intensa agenda internacional dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto à ala mais radical do governo de Donald Trump é vista pela gestão Lula (PT) como uma estratégia coordenada para permitir que Washington influencie diretamente as eleições municipais de outubro.

Desde fevereiro, os irmãos Bolsonaro têm promovido reuniões com líderes da direita radical em diversos países, consolidando uma ponte direta com o governo americano.

Para integrantes do governo brasileiro, essas movimentações deixaram de ser meras agendas políticas e passaram a ser encaradas como interferências externas no cenário político nacional.

Ameaça de sanções e o “fator Beattie”

A pressão americana tem se manifestado em duas frentes principais que preocupam a diplomacia brasileira:

  1. Classificação de facções como terroristas: setores radicais do governo Trump articulam a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. o governo Lula mapeia riscos de graves prejuízos econômicos caso a medida avance, além de ver na proposta a “digital” de Eduardo e Flávio, que buscam pautar a segurança pública brasileira sob a ótica de Washington.
  2. Visita sob tensão: a chegada de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado e crítico ferrenho do ministro Alexandre de Moraes, ao Brasil na próxima semana é o estopim de um iminente constrangimento diplomático. Beattie deve se reunir com Flávio e Jair Bolsonaro para “entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro”, um gesto que o Planalto interpreta como uma afronta à soberania institucional.

“A agenda que Eduardo e Flávio constroem no exterior serve de munição para que autoridades estrangeiras questionem nossas instituições em pleno ano eleitoral”, afirma uma fonte palaciana sob reserva.

Dessa forma, o Itamaraty e o Ministério da Justiça seguem em monitoramento constante, avaliando as respostas diplomáticas cabíveis para evitar que a polarização doméstica seja alimentada por pressões externas vindas da Casa Branca.

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