Justiça eleitoral bloqueia contas do Solidariedade no Amazonas

A medida judicial do TRE ocorreu após não ter havido acordo entre o partido e a União.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 20/07/2026 às 10:44 | Atualizado em: 20/07/2026 às 10:46

O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) determinou a penhora de ativos financeiros e o bloqueio de contas do diretório estadual do Solidariedade no Amazonas (SD-AM).

A medida atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para garantir a quitação de débitos pendentes com a União originados do cumprimento de sentença relativo a processos do partido e do extinto Pros, partido pelo qual José Melo se elegeu governador do estado em 2014.

A decisão foi proferida pela presidente do tribunal, desembargadora Carla Maria Reis, autorizando a busca e o bloqueio de valores via sistema Sisbajud, com repetição automática da ordem durante 30 dias.

A medida judicial ocorreu após a constatação de ausência de acordo extrajudicial entre o Solidariedade e a União para o parcelamento do montante cobrado.

Com a efetivação da indisponibilidade de recursos, a legenda terá o prazo de 15 dias para apresentar manifestação à Justiça, conforme estipulado pelo Código de Processo Civil.

Para conferir todos os detalhes da decisão e o histórico do processo, leia a matéria completa publicada pelo portal AM1.

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Raios-X do partido

O Solidariedade no Amazonas atravessa um período de encolhimento de quadros, perda de protagonismo e contestações judiciais.

Neste ano, perdeu seu principal ícone, ex-deputado federal e ex-superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa) Bosco Saraiva, que se filiou ao PSD do senador Omar Aziz.

Hoje, a legenda tenta se equilibrar no ecossistema político do estado enquanto lida com entraves financeiros e estruturais.

1. Comando e alinhamento político

Liderança local: o atual presidente do partido Solidariedade no Amazonas é Valdemir de Carvalho Barros. Seus principais nomes hoje são o ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro Cabo Daciolo e o ex-deputado estadual Dermilson Chagas.

Guinada ideológica: após um período alinhado a pautas mais à direita/centro-direita nas eleições de 2022, a sigla redefiniu sua rota em 2024 para aproximar-se da esquerda e da base governista federal do presidente Lula da Silva.

2. Presença no parlamento

Assembleia Legislativa (ALE-AM): a sigla perdeu densidade nas urnas em 2022 e não possui deputado estadual eleito, o que reduz sua capacidade de articulação direta e orçamento de gabinete no estado.

Câmara Municipal de Manaus (CMM): o desempenho na capital em 2024 também foi modesto, mantendo o partido sem bancada e fora dos grandes blocos de liderança do parlamento municipal.

3. Desafios judiciais e de federação

Asfixia financeira: o recente bloqueio de contas via Sisbajud por pendências fiscais junto à União traz forte gargalo operacional para o custeio da rotina partidária no estado.

Efeito nulo de alianças: a articulação para a formação da federação nacional entre Solidariedade e PRD (Partido Renovação Democrática) tem impacto residual ou quase nulo no Amazonas, onde nenhuma das duas agremiações detém mandateiro de grande porte para formar uma bancada forte em 2026.

Panorama: o Solidariedade opera hoje no Amazonas mais como um partido de apoio institucional de bastidor, sem a âncora da figura de Bosco Saraiva, do que como uma força eleitoral de massa capaz de encabeçar chapas majoritárias no estado.

Foto: José Cruz/Agência Brasil