ONU critica operação no Rio e pede investigação imediata
Guterres manifesta preocupação com 119 mortos em ação policial na Penha e no Alemão e cobra respeito aos direitos humanos.
Da Redação do BNC Amazonas*
Publicado em: 30/10/2025 às 06:41 | Atualizado em: 30/10/2025 às 06:41
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, demonstrou “profunda preocupação” com o número de mortos na operação Contenção, deflagrada nesta terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro.
Dessa forma, a manifestação foi feita nesta quarta-feira (29) por meio do porta-voz Stéphane Dujarric, que ressaltou a necessidade de rigor e transparência nas apurações.
“Posso afirmar que o secretário-geral está profundamente preocupado com o grande número de vítimas durante a operação policial realizada ontem nas favelas do Rio de Janeiro”, declarou Dujarric, acrescentando que Guterres pediu uma investigação imediata e o cumprimento das normas internacionais de direitos humanos em ações de segurança pública.
De acordo com o governo fluminense, 119 pessoas morreram durante a operação, que contou com participação de forças estaduais e federais.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) acompanha os desdobramentos e a legalidade das medidas, em cumprimento à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impõe limites às incursões policiais em comunidades.
A operação tem sido alvo de denúncias de familiares das vítimas, organizações da sociedade civil e entidades de direitos humanos.
Dessa maneira, a Anistia Internacional classificou o episódio como massacre e cobrou respostas urgentes do Estado.
Em nota, a organização afirmou que o número de mortes é “inaceitável” e defendeu uma investigação independente e rápida para garantir justiça e reparação.
Moradores também relataram impactos diretos da ação, como bloqueio de circulação e suspensão de serviços essenciais.
De acordo com relatos, famílias ficaram presas dentro de casa, sem acesso a transporte, escolas e unidades de saúde durante a ofensiva policial.
A operação Contenção ocorre em meio a debates cada vez mais intensos sobre segurança pública e direitos humanos no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, onde ações policiais em favelas frequentemente geram críticas de abusos e violações.
As autoridades estaduais ainda não comentaram a manifestação da ONU. A Defensoria Pública e entidades de monitoramento de direitos humanos seguem coletando denúncias de moradores para encaminhamento às autoridades competentes.
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*Com informações da Agência Brasil.
Foto: Foto: ONU/Jean-Marc Ferré (arquivo)
