Lula chama Brasil e Índia de ‘democracias do Sul Global’ e deixa China fora do grupo
Presidente defende fortalecimento das relações bilaterais e diz que países não podem depender de EUA ou chineses para crescer
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 21/02/2026 às 10:20 | Atualizado em: 21/02/2026 às 10:21
O presidente Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20.fev.2026) que Brasil e Índia são “as duas maiores democracias do Sul Global”, ao comentar a importância da cooperação entre os dois países. A declaração foi dada durante entrevista à emissora India Today, em visita oficial a Nova Délhi.
Ao fazer o recorte, Lula excluiu a China do grupo de nações democráticas dentro do conceito geopolítico conhecido como Sul Global. Ou seja, termo geralmente utilizado para designar países emergentes ou em desenvolvimento, em contraposição às potências tradicionais do Norte global.
“O Brasil e a Índia não podem ficar dependendo dos Estados Unidos ou dependendo da China. Nós queremos que a nossa economia cresça, porque, se ela crescer, o fluxo comercial cresce e vai ser bom para a Índia e vai ser bom para o Brasil. Nós somos as duas maiores democracias do Sul Global, portanto nós temos que dar bons exemplos”, declarou o presidente.
Conceito geopolítico
O Sul Global não se refere a uma região geográfica específica, mas a um conceito político e econômico.
Assim, a expressão passou a substituir termos como “Terceiro Mundo” e “países em desenvolvimento”, sendo adotada por nações que, em diferentes fóruns multilaterais, buscam maior protagonismo e frequentemente se posicionam de forma crítica a políticas defendidas pelos Estados Unidos e pela Europa Ocidental.
Ao destacar o caráter democrático de Brasil e Índia, Lula reforçou a distinção em relação ao modelo chinês. A China adota um sistema de capitalismo de Estado sob o comando do Partido Comunista da China (PCC), que exerce controle político centralizado.
Nesse sentido, o país não é considerado uma democracia liberal nos moldes ocidentais, uma vez que não há multipartidarismo competitivo nem garantias plenas de liberdades individuais e de expressão.
Relação bilateral
Durante a entrevista, Lula defendeu o fortalecimento das relações bilaterais entre Brasília e Nova Délhi e o aumento do fluxo comercial entre as duas economias.
Segundo o presidente, a ampliação da parceria estratégica pode contribuir para reduzir a dependência de grandes potências e impulsionar o crescimento econômico de ambos os países.
Assim sendo, a visita à Índia integra a agenda internacional do presidente em 2026, marcada por esforços de articulação com países emergentes e pela defesa de maior protagonismo das democracias do Sul Global no cenário internacional.
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Foto: Ricardo Stuckert / PR
