Entidades condenam ataques a jornalistas em cobertura da saúde de Bolsonaro
A crise teve início após a viralização de um vídeo editado, compartilhado por parlamentares e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 16/03/2026 às 12:05 | Atualizado em: 16/03/2026 às 12:05
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal emitiram notas de repúdio neste domingo (15) contra uma onda de ataques direcionados a repórteres que cobrem o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesse sentido, as entidades classificam o episódio como um atentado à liberdade de imprensa e à democracia. A informação foi divulgada por Alex Rodrigues – repórter da Agência Brasil.
A crise teve início após a viralização de um vídeo editado, compartilhado por parlamentares e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O registro, segundo a Abraji, foi deturpado para sugerir que profissionais de imprensa estariam “desejando a morte” do ex-mandatário. A associação classificou a divulgação sem verificação prévia como um “gesto irresponsável” que expôs trabalhadores a ameaças reais e difamações.
Escalada da violência: do digital ao físico
De acordo com as entidades de classe, a hostilidade extrapolou as redes sociais. O balanço das agressões inclui:
- – Ataques de rua: pelo menos duas repórteres foram hostilizadas fisicamente ao serem reconhecidas em via pública.
- – Uso de Deepfakes: foram identificadas montagens e vídeos criados com inteligência artificial simulando atos de violência extrema, como o esfaqueamento de uma jornalista.
- – Exposição de familiares: fotos de filhos e parentes dos profissionais estão sendo utilizadas como ferramenta de assédio e intimidação.
“É inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões”, afirmou a Abraji em nota oficial.
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Cobrança por proteção e medidas judiciais
Diante do cenário de insegurança, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do DF cobraram providências imediatas do Estado. As organizações pretendem solicitar o reforço da Polícia Militar nas imediações do hospital onde o ex-presidente está internado, visando garantir a integridade física dos repórteres contra a ação de militantes.
As entidades também exigem que as empresas de comunicação ofereçam suporte jurídico e garantam a segurança de seus colaboradores, sugerindo o afastamento do local caso não haja condições mínimas de trabalho.
Além disso, pedem que o Ministério Público identifique e puna os responsáveis pela exposição de dados privados e pelas ameaças virtuais.
Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e a Polícia Civil não se manifestaram sobre o registro de boletins de ocorrência relacionados a esses episódios.
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
