Da Ponta Negra ao Banco Central: o rastro de Léo Dias no ‘Escândalo do Master’

Ele é o jornalista especialista em celebridades que, recentemente, esteve sob os holofotes no Fim de Ano da cidade de Manaus

Da Ponta Negra ao Banco Central: o rastro de Léo Dias no 'Escândalo do Master'

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 09/01/2026 às 05:58 | Atualizado em: 09/01/2026 às 05:58

O cenário das redes sociais brasileiras amanheceu sob o impacto de uma investigação que mistura cifras milionárias, influência digital e um suposto ataque coordenado contra uma das instituições mais sólidas do país: o Banco Central do Brasil (BC).

No centro do subescândalo, entre nomes da política e das finanças, surge o de Léo Dias. Ele é o jornalista especialista em celebridades que, recentemente, esteve sob os holofotes no Fim de Ano da cidade de Manaus

Milícia digital

De acordo com apurações da Polícia Federal e documentos que circulam nos bastidores de Brasília, o escândalo do Master envolve a contratação de influenciadores digitais para descredibilizar a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.

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Quem é Vorcaro

Vorcaro é um jovem banqueiro brasileiro de 42 anos que virou alvo de uma investigação federal sobre fraudes financeiras. Ele foi preso pela PF no dia 17 de novembro ao tentar embarcar para a Europa. O banqueiro usaria um avião particular partido do aeroporto internacional de SP, em Guarulhos, na grande São Paulo. Para a PF, Vorcaro iria fugir do país.

“Projeto DV”

Pois bem, o objetivo da estratégia digital, apelidada de “Projeto DV”, seria criar uma narrativa de que a liquidação foi “precipitada” e “injusta”. A ideia era pressionar órgãos de controle como o TCU e a própria opinião pública. Relatórios indicam que dezenas de perfis teriam recebido pautas prontas para atacar o BC, com contratos que previam multas de até R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo.

De Manaus para a polêmica nacional

Para o público amazonense, a figura de Léo Dias é fresca na memória. O colunista foi presença VIP no Réveillon de Manaus 2026. Lá, ele realizou a cobertura das festividades na Ponta Negra a convite da Prefeitura de Manaus. Na ocasião, a presença do jornalista gerou debates sobre valor cobrado por ele para o serviço.

O cachê de Léo Dias para eventos dessa magnitude gira em torno de R$ 180 mil.

Investigações

Agora, os investigadores tentam entender se a expertise do influenciador em “furar bolhas” de entretenimento foi utilizada para dar capilaridade aos ataques contra o Banco Central.

O que dizem os envolvidos

Léo Dias – o jornalista, que atualmente integra o elenco da Band, tem mantido uma postura de defesa da sua liberdade de expressão. No entanto, o volume de postagens de suas redes com críticas ao BC, no período da liquidação, chama a atenção da Febraban e de órgãos reguladores.

Banco Master – em nota, a defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer coordenação de ataques ou contratação de influenciadores para difamar o Banco Central.

Banco Central – a autarquia afirma que a liquidação ocorreu por “graves violações às normas do sistema financeiro” e que ataques coordenados não mudarão o rigor técnico da fiscalização.

O peso da influência

A investigação levanta um alerta sobre os limites da publicidade paga (o famoso “publi”) e o jornalismo de opinião. Quando um influenciador que recebe R$ 180 mil por uma presença VIP em Manaus passa a opinar sobre política monetária e liquidações bancárias, a linha entre a informação e a manipulação torna-se perigosamente tênue.

Foto: divulgação