Por que Lula ligou linhão de Boa Vista em Brasília e não em Roraima?

Para a grande maioria dos roraimenses, o petista cometeu uma traição histórica. Além de considerarem mérito a Bolsonaro. Confira

Palácio do Planalto Palácio do Planalto Seguir 10.09.2025 – Visita alusiva aos testes de energização da Linha de Transmissão Manaus-Boa Vista, realizada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita aos testes de energização da Linha de Transmissão Manaus-Boa Vista, conduzidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. Setor de Indústrias e Abastecimento Sul, Guará – Brasília (DF). Foto: Ricardo Stuckert / PR

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 11/09/2025 às 10:11 | Atualizado em: 11/09/2025 às 10:11

Essa pergunta encontra resposta em fatos históricos que remontam a 2002, quando Lula da Silva chegou à Presidência da República pela primeira vez. À época, ele já fazia discurso em defesa dos povos originários do Brasil, em especial aos povos indígenas da Amazônia, que ainda vivem na natureza.

A oratória virou prática, em Roraima, quando ele pôs fim a uma antiga discussão sobre a terra indígena Raposa Serra do Sol. O território foi demarcado pelo antecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso. Faltava homologar. Lula a homologou dois anos depois de assumir o Executivo federal.

Traição histórica

Para a grande maioria dos roraimenses, o petista cometeu, com essa decisão, uma traição histórica. Sobretudo, porque nas eleições de 2002, ele recebeu uma avalanche de votos. Por exemplo, no primeiro turno daquele pleito, Lula teve mais que o dobro dos votos de José Serra, candidato do então presidente FHC (65,56% X 34,44%).

E qual foi a traição? É que, na Raposa Serra do Sol, estavam implantados desde a década de 1970 produtores de arroz que geravam emprego, renda e riqueza para o estado. O cultivo de arroz, na terra dos indígenas, era, para eles, a Zona Franca de Boa Vista, que se acabou.

Derrotas sucessivas do PT em Roraima

Daí em diante, o PT nunca mais venceu uma eleição em Roraima. O próprio Lula, em sua reeleição, em 2006, perdeu a disputa para seu hoje vice, Geraldo Alckmin por 59,73% a 26,15%.

Na eleição de 2010, o PT perdeu com a ex-presidente Dilma Rousseff para José Serra (51,03% X 28,72%). No cargo de presidente, perdeu também em Roraima para Aércio Neves, em disputa voto a voto, no primeiro turno (38,9% X 38,2%). No entando, no segundo turno a resistência dos roraimenses aos petistas se confirmava quando Aécio abriu quase 18 pontos percentuais acima de Dilma (58,9% a 41,1%).

O PT também perdeu com Fernando Haddad em 2018. Ali, caindo nas graças dos eleitores de Roraima, Bolsonaro venceu por 62,97%, no primeiro turno, e, no segundo turno 71,55% a 28,45%.

Segunda derrota de Lula em Roraima

Nesse contexto de resistência, Lula perdeu as eleições, pela segunda vez, em 2022. As derrotas foram uma nova forra dos roraimenses contra ele. Basta ver que no primeiro turno Biolsonaro venceu Lula por 69,57% X 23,05% e, no segundo, 76,08% a 23,92%.

Outra embate Lula x Roraima

Lula começou seu tereceiro mandato de presidente comprando uma nova briga com Roraima, embora por causa humanitária. Nos primeiros dias de seu atual governo, Lula ordenou a desintrusão, desocupação, expulsão, de garimpeiros das terras indígenas ianomamis.

Dessa forma, mexeu, de novo, num tema sensível ao estado, o garimpo. Para os roraimenses, o garimpeiro é símbolo da força de trabalho que desenvolve o estado. Tanto é assim que, em Boa Vista, capital de Roraima, na Praça do Centro Cívico, onde estão a sede dos três poderes do estado, foi construído o Monumento ao Garimpeiro.

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Ontem, dia 10 de setembro, Lula ligou (energizou), em teste, umas das obras mais importantes do estado, o linhão de Tucuruí. A via de 725 quilômetros de eletricidade saindo de Manaus até Boa Vista custou quase R$ 3 bilhões, vai gerar economia ao setor de cerca de R$ 50 milhões e vai tirar o estado, único do país ainda, do isolamento ao sistema nacional de energia.

Mas, ainda assim, o presidente Lula acionou o botão não em Roraima, mas em Guará, bairro de Brasília.

No estado, os eleitores de Bolsonaro entendem que o mérito dessa obra é do ex-presidente, que destravou a burocracia que segurava o linhão em Manaus.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República