Mounjaro: pesquisadores mostram efeitos no cérebro
Estudo comprovou que o impulso por comer vem primeiro da cabeça
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 17/11/2025 às 14:50 | Atualizado em: 17/11/2025 às 14:50
Um estudo publicado nesta segunda-feira (17 de novembro) na Nature Medicine mostrou que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, altera a atividade elétrica do núcleo accumbens e reduz o desejo de comer.
Pela primeira vez, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia registraram em humanos como o remédio abafa oscilações ligadas ao impulso alimentar, indicando ação direta no cérebro além do metabolismo.
A descoberta surgiu após uma participante relatar que o “barulho alimentar” sumiu ao aumentar a dose. Como ela tinha eletrodos no núcleo accumbens, foi possível medir, em tempo real, a queda das ondas de baixa frequência nas semanas em que a fissura diminuiu.
Essas ondas estão associadas à hiperativação do circuito de recompensa.
“Essas oscilações de baixa frequência parecem ser um marcador do estado de desejo intenso”, afirmou o neurocirurgião Casey Halpern.
Segundo o estudo, a tirzepatida “abafa temporariamente esse ruído”. O núcleo accumbens é um centro chave de recompensa, motivação e vício. O barulho alimentar reúne pensamentos intrusivos sobre comida e vontade contínua de beliscar.
“É como se o cérebro estivesse sempre sintonizado em uma estação que fala de comida”, disse a pesquisadora Wonkyung “Woni” Choi.
Sem o ruído, ela afirmou, a pessoa “consegue pensar em outras coisas, sem aquele impulso incessante”.
Os autores reforçam que o desejo de comer começa no cérebro, não no estômago.
Como o núcleo accumbens participa de comportamentos aditivos, entender sua modulação pode ajudar no tratamento de impulsos ligados a álcool e opioides. Após alguns meses, porém, os sinais elétricos e a fissura reapareceram.
Para Choi, isso indica adaptação do cérebro: o silêncio no barulho alimentar “pode ser temporário”.
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Foto: getty imagens/reprodução
