Comissão da Câmara derruba incentivo fiscal a refino de petróleo na ZFM

Proposta do senador Omar Aziz, aprovada na reforma tributária, foi rejeitada na Comissão da Amazônia. Deputados do Amazonas prometem reagir

Comissão da Câmara derruba incentivo fiscal a refino de petróleo na ZFM

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 03/10/2025 às 14:35 | Atualizado em: 03/10/2025 às 14:35

O Amazonas teve novo revés, na Câmara dos Deputados, o que precisará de ação articulada da bancada parlamentar para reverter a situação.

Isso porque, na última terça-feira (30 de setembro), a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários Tradicionais aprovou o projeto de Lei Complementar (PLP 79/2025).

Ele exclui da regulamentação da reforma tributária os benefícios fiscais concedidos à indústria do refino de petróleo na Zona Franca de Manaus (ZFM).

De autoria do senador Omar Aziz (PSD-AM), com apoio do senador Eduardo Braga (MDB-AM), o relator da reforma tributária, a emenda aprovada na Lei Complementar n° 214/2025 isenta a Refinaria da Amazônia (Ream) de pagar PIS/Cofins e ICMS. Ela é a única da região e está localizada em Manaus.

O PLP 79/2025 é de autoria do deputado Kim Kataguiri (União-SP), tendo como relator o deputado Alexandre Lindnmeyer (PT-RS).

Dessa forma, a proposta foi apresentada em abril deste ano, visando alterar a redação da alínea “e” do art. 441 da lei 214, a fim de excluir do texto a parte que trata da exceção que permite que as refinarias de petróleo instaladas na ZFM gozem das isenções fiscais.

Os parlamentares calculam que as renúncias fiscais atingem cerca de R$ 3,5 bilhões por ano.

Reação da bancada Amazonas

Após aprovação na Comissões de Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, o PLP 79/2025 seguiu para a Comissão de Finanças e Tributação (CFT), depois seguirá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

No entanto, é na CFT que o projeto de Kim Kadaguiri deverá enfrentar barreira. É que na Comissão de Finanças e Tributação há cinco dos oito deputados federais do Amazonas, incluindo o relator, Sidney Leite (PSD-AM).

Além dele, também são membros da CFT os deputados: Átila Lins (PSD-AM), Adail Filho (Republicanos-AM), Fausto Jr (União-AM), Pauderney Avelino (União-AM).

Desse modo, tanto o relator Sidney Leite quanto os demais membros da bancada amazonense devem trabalhar para rejeitar o projeto de Kadaguiri.

Argumentos

Em sua justificativa, o paulista Kim Kataguiri alega que essa exceção às refinarias da Amazônia é inconstitucional porque contraria o disposto no art. 92-B do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).

Tal dispositivo prevê a manutenção, em caráter geral, do diferencial competitivo assegurado à Zona Franca de Manaus em 31 de maio de 2023, que não contempla petróleo, lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos.

“Ademais, é inadequada sob o ponto de vista financeiro e orçamentário, uma vez que viola o art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal – Lei Complementar nº 101/2000, com renúncias fiscais não compensadas da ordem de 3,5 bilhões de reais por ano”, argumenta.

Por fim, o autor alega que a exceção viola o princípio da isonomia tributária, promove a concorrência desleal no mercado de combustíveis e ameaça investimentos de longo prazo no setor de refino de petróleo fora da ZFM.

Parecer do relator

Segundo o relator Alexandre Lindnmeyer, o projeto precisa ser aprovado pela necessidade de correção de distorções fiscais e isonômicas.

Isso porque a manutenção de benefícios fiscais exclusivos para setores altamente lucrativos e já consolidados, como o de refino de petróleo, cria distorções concorrenciais.

Ao mesmo tempo que viola o princípio da isonomia tributária, previsto no artigo 150, inciso II, da Constituição Federal.

“A revogação da exceção promove uma distribuição mais justa da carga tributária e favorece a concorrência leal entre os agentes econômicos, considerando também que a refinaria de petróleo localizada na Zona Franca de Manaus foi recentemente privatizada”, destacou Lindnmeyer.

Aplauso dos petroleiros

O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, comemorou a aprovação na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários Tradicionais.

Mesmo assim, disse que caso o PLP 79/2025 não passe no Congresso Nacional, a FUP irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei Complementar 214/2025.

“Esta é uma vitória parcial, mas importante na luta por justiça tributária, uniformização do tratamento tributário e fim dos privilégios dados à refinaria privatizada em Manaus”, diz Bacelar.

Concorrência desleal

Para o dirigente da FUP, as isenções fiscais à Ream violam o princípio da isonomia tributária, promovem a concorrência desleal no mercado de combustíveis e ameaçam investimentos de longo prazo no setor de refino de petróleo fora da Zona Franca de Manaus.

Ele acrescenta que a ZFM foi criada para incentivar o desenvolvimento industrial da região, ao contrário do que está acontecendo com as isenções fiscais à refinaria, que estão estimulando a importação do produto já refinado, desestimulando a indústria.

Após a análise pelas comissões, a proposição será objeto de apreciação pelo plenário e seu regime de tramitação é prioridade, conforme o art. 24, inciso I e art. 151, inciso II, ambos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RICD).

Foto: divulgação