Presença de menores no carnaval de Manaus alerta para negligência
Registros anteriores de fiscalizações já apontavam a frequência de adolescentes em adegas e shows sem a devida restrição.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 17/02/2026 às 20:34 | Atualizado em: 17/02/2026 às 20:34
A exposição de crianças e adolescentes a ambientes inadequados, como bandas de carnaval e casas noturnas, volta ao centro do debate após fiscalizações em Manaus. Até crianças de colo foram encontradas.
Durante as ações da Central Integrada de Fiscalização (CIF), das forças de segurança pública, a presença de menores foi detectada em todos os eventos vistoriados na segunda-feira de carnaval (16 de fevereiro), evidenciando uma falha persistente na vigilância de organizadores e, principalmente, na conduta de pais e responsáveis.
A recorrência desse cenário em Manaus não é novidade. Registros anteriores de fiscalizações já apontavam a frequência de adolescentes em adegas e shows sem a devida restrição.
Contudo, o flagrante de crianças de colo em ambientes com intenso consumo de álcool e aglomeração eleva o tom da crítica à responsabilidade de pais e responsáveis e à eficácia das sanções aplicadas aos estabelecimentos de entretenimento.
Normas ignoradas e riscos expostos
De acordo com as diretrizes da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente, a permanência de menores em eventos carnavalescos é estritamente regulada.
A secretária de Justiça e Cidadania do estado, Jussara Pedrosa, reforçou que menores de 12 anos são proibidos de participar de blocos onde haja consumo de bebidas alcoólicas, mesmo acompanhados pelos pais.
“A ideia é preservar direitos, mas o que vemos é a falta de vigilância dos organizadores e a presença temerária de pais com crianças em locais não indicados para a faixa etária”.
Além da questão social e de proteção, a fiscalização identificou irregularidades técnicas em Manaus:
- Segurança: eventos na zona norte operavam sem licença do Corpo de Bombeiros.
- Saúde: bandas no centro foram notificadas por falta de documentação da vigilância sanitária.
- Abuso: consumo de bebidas alcoólicas e energéticos por menores em áreas de livre acesso.
O papel dos responsáveis
A crítica recai sobre a normalização da presença infantil em contextos de lazer adulto.
Enquanto foliões e assistentes sociais elogiam o reforço da segurança pela CIF, a eficácia dessas operações depende de uma mudança cultural.
A advertência aos organizadores, sob pena de suspensão dos eventos, é um passo administrativo, mas a exposição direta de menores a situações de risco permanece como uma lacuna na conscientização das famílias.
As fiscalizações integradas pelas polícias civil e militar devem continuar ao longo do período festivo para garantir que o direito ao lazer dos adultos não se sobreponha à segurança e integridade dos menores de idade.
Foto: Secom
