Especialistas dizem ao governo Lula que El Niño está consolidado

Consolidação do El Niño acende alerta para atraso nas chuvas, seca prolongada e incêndios florestais a partir do segundo semestre.

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 19/06/2026 às 19:14 | Atualizado em: 19/06/2026 às 19:15

O fenômeno climático El Niño está consolidado e nos próximos meses já poderá ser sentido nos estados do Norte e Centro-Oeste com atraso no início da estação chuvosa e prolongamento da estação seca, causando os incêndios florestais, sobretudo entre setembro e novembro.

Causado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno tem alta probabilidade de se consolidar no segundo semestre de 2026, podendo atingir seu pico entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Na prática, isso significa maior risco de extremos climáticos: calor intenso, estiagens prolongadas, queimadas, chuvas fortes, enchentes e perdas agrícolas.

O diagnóstico foi feito por especialistas reunidos nesta semana, em Brasília, no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

O encontro foi para atualizar as previsões climáticas para os próximos meses e o risco de incêndios florestais nos biomas brasileiros.

Nele, foram avaliados dados acumulados até maio, que são parte de um ciclo de monitoramento iniciado em janeiro para antecipar cenários climáticos sob influência do El Niño.

As previsões climáticas e os indicadores de perigo de fogo foram apresentados por representantes do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ).

“Embora o fenômeno El Niño se apresente como um desafio significativo para todas as instituições, estamos mais preparados devido ao trabalho de estruturação realizado nos últimos anos”, disse a secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente, Anna Flávia Senna.

A número 02 da pasta afirmou que o governo tem convicção de que o enfrentamento das condições climáticas atuais exigirá uma articulação federativa robusta.

“Nesse sentido, estamos desenvolvendo instrumentos que permitam fortalecer as instâncias intra-federativas”, afirma.

Confirmação

Segundo os especialistas, na última semana, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos Estados Unidos e as agências meteorológicas do Japão e da Austrália confirmaram o início do fenômeno, com o índice da porção central do Pacífico atingindo 0,9°C de aquecimento.

Com a aproximação do fim de junho, e a consequente superação da “barreira da primavera”, as projeções ganham maior confiabilidade e indicam tendência de intensificação ao longo do segundo semestre.

Os especialistas ponderaram, contudo, que cada El Niño possui características próprias e que comparações diretas com episódios anteriores podem levar a interpretações equivocadas.

O evento atual apresenta configuração distinta da observada em 2023-2024 — período em que o fenômeno, ainda que de intensidade moderada, teve impacto expressivo sobre os incêndios e enchentes no país, visto que coincidiu com um aquecimento anômalo do Atlântico Norte. 

Com informações da Ascom/MMA