Entre taças e histórias: por que o vinho vai além da garrafa

Uma reflexão leve e cultural sobre o vinho, seus mitos, excessos, mercado e o verdadeiro valor da bebida: a experiência, a história e a boa companhia.

Entre taças e histórias: por que o vinho vai além da garrafa

Por Marcos Santos*

Publicado em: 06/02/2026 às 10:00 | Atualizado em: 06/02/2026 às 11:42

Sexta-feira chegou, fim de semana batendo à porta. Hora de um tema mais ameno. Vamos falar de vinho.

Sim, o vinho que embebedou patriarcas do povo de Deus. O vinho que Jesus Cristo transformou da água e deixou como sacramento perpétuo para os cristãos. O vinho que também aparece em milhares de estudos científicos, com propriedades medicinais, aliado do coração e até recomendado pelo apóstolo Paulo para aliviar os problemas estomacais de Timóteo.

O mundo do vinho é fascinante. As grandes regiões produtoras estão umbilicalmente ligadas ao turismo e à gastronomia. Pense em Napa Valley, na Toscana, onde estão Bolgheri, Chianti e Montalcino. Pense na Espanha e na França, terra dos famosos grand cru premier classé de Bordeaux, da Borgonha e do champanhe. E há o chamado Novo Mundo do vinho, com Chile e Argentina, Austrália e África do Sul entrando com força no mercado global.

Mas é preciso desfazer alguns mitos. O principal: vinho é bebida alcoólica. O abuso faz mal e pode causar dependência. A dor de cabeça do dia seguinte, na maioria das vezes, vem de vinho ruim, mal -conservado ou do esquecimento da regra de ouro: uma taça de vinho para vários copos de água.

Vinho também é um prato cheio para novo rico. Ele compra pelo preço — e aí fica difícil errar. Robert Parker, uma espécie de guru máximo do mundo do vinho, dizia que o preço justo de uma garrafa de 750 ml não deveria passar de 20 dólares. O resto é marketing. Claro que a realidade do mercado ignora isso. Os chamados supertoscanos italianos já passam dos dois mil euros. O espanhol Pingus custa cerca de mil e duzentos euros. E os grandes premier grand cru classé de Bordeaux, além do lendário Romanée-Conti, da Borgonha, chegam à casa dos cinquenta mil euros em leilões internacionais.

Mas esse é o mundo dos super-ricos. Não nos pertence. Conhecedor de vinho de verdade é quem garimpa boas casas e encontra rótulos com o melhor custo-benefício.

Aqui em Manaus, vale anotar: Top Internacional e Carrefour têm os melhores estoques. O Carrefour, afinal, é francês e costuma fazer ótimas promoções de fim de semana. Há vinhos chilenos, argentinos e espanhóis muito bons por cerca de cinquenta reais — uma pechincha nesse universo.

E uma dica final: o vinho pode ser licoroso, como Sauternes ou Tokaji; espumante; branco ou tinto. O vinho associado à saúde é o tinto seco. E o espumante de qualidade é o brut. Já vi muita gente boa perguntando, em festões: “Vinho ou espumante?” É um erro porque os dois são vinho. O correto é: “Bebe um vinho? Tinto ou espumante?” É claro que se o espumante for champanhe, denominação só permitida na França e outras raríssimas exceções pelo mundo, aí ofereça champanhe. Se for um prosecco italiano ou uma cava espanhola também. É mais chique. Mas não esqueça que os espumantes brasileiros, com mais acidez e perlage (as bolhas) persistente, também têm ótima qualidade. 

No fim, o essencial não está na garrafa. Está na boa companhia, numa boa comida, um queijo, talvez um foie gras, uma conversa gostosa… e pronto.

Aí está o aperitivo ideal.

Tim-tim. Saúde.

Tchim, tchim. Saúde a todos!

*Transcrição da coluna digital do jornalista Marcos Santos para o programa “Manhã de Notícias”, da Rede Tiradentes.

Foto: imagem gerada por IA