‘Foi um tapa na cara da direita’

A frase é do deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), ex-bolsonarista, sobre o áudio em que Flávio Bolsonaro cobra dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro

Otoni De Paula (PSD-RJ) 13/05/2026 - Plenário – Sessão Deliberativa Extraordinária Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 13/05/2026 às 20:32 | Atualizado em: 13/05/2026 às 20:55

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) fez duras críticas ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) durante discurso na tribuna da Câmara dos Deputados, na noite desta quarta-feira (13). Foi após a divulgação de áudios que mostram o parlamentar pedindo dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco Master. A barganha era para financiar um filme sobre o ex-presidente Bolsonaro.

“Um tapa na cara da direita brasileira. Foi isto que o senhor senador Flávio Bolsonaro fez com todos nós: um tapa! Um tapa na nossa cara!”, afirmou Otoni. O pronunciamento foi marcado por ataques ao bolsonarismo e pela tentativa de separar a direita tradicional do grupo político liderado pela família Bolsonaro.

O deputado disse que já esperava que o caso viesse à tona e acusou Flávio Bolsonaro de agir de maneira recorrente para buscar recursos privados. 

“O senador Flávio é batedor de carteira, porque o senador Flávio faz isso mesmo”, declarou.

Na sequência, Otoni citou os valores envolvidos na produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. 

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Lavagem de dinheiro

Segundo reportagens desta quarta-feira, Flávio teria cobrado inicialmente R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa-metragem. De acordo com os documentos e áudios obtidos pelo Intercept Brasil, ao menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.  

“Eles queriam usar o filme do pai para lavar dinheiro. Usar o filme do pai para lavanderia”, afirmou Otoni de Paula da tribuna da Câmara.

O parlamentar também buscou diferenciar o que chamou de “direita” do “bolsonarismo”. “Respeite a Direita! Direita é Direita! Bolsonarismo é isto que estamos vendo!”.

Comparação com filmes consagrados 

O parlamentar do Rio de Janeiro ainda comparou o filme de Bolsonaro com obras consagradas mundialmente do cinema nacional.

“O camarada pede para patrocinar o filme do pai dele quase cinco vezes mais do que custou “O agente secreto” e quase quatro vezes mais, três vezes mais, do que custou o filme “Ainda estou aqui”. Ele pede R$ 134 milhões e cai R$ 61 milhões”.

Mais cedo, o caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro em conversas com Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, preso no âmbito das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo a instituição. Nas gravações, o senador pede recursos para manter a produção do filme sobre o pai e menciona dificuldades financeiras do projeto.  

Em nota divulgada após a repercussão do caso, Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que buscava apenas “patrocínio privado para um filme privado”, sem uso de recursos públicos ou oferta de vantagens indevidas.  

As revelações provocaram reações dentro do campo conservador. O ex-governador mineiro Romeu Zema, também cotado para a disputa presidencial, classificou o episódio como “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.  

Foto: Bruno Spada/Agência Câmara