Justiça do Amazonas decreta prisão de policiais militares por morte de cidadão

Ministério Público recorreu de decisão inicial que liberou agentes envolvidos em ação arbitrária no bairro Alvorada.

Justiça do Amazonas decreta prisão de policiais militares por morte de cidadão

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 21/04/2026 às 19:15 | Atualizado em: 21/04/2026 às 19:15

O sistema judiciário amazonense recuou de uma decisão inicial temerária e decretou a prisão preventiva dos policiais militares envolvidos na morte de Carlos André de Almeida Cardoso, 19 anos.

O crime, ocorrido no bairro Alvorada, zona centro-oeste de Manaus, no último final de semana, causou indignação popular após imagens revelarem uma atuação de contornos arbitrários pela guarnição, que agiu à margem da legalidade.

Carlos André, desarmado foi executado a sangue frio em plena via pública. Não fossem imagens captadas por câmera de rua, os policiais teriam empurrado mais uma narrativa mentirosa do modo como atuam em ocorrências.

A nova medida atende a uma representação da autoridade policial com parecer favorável do Ministério Público do Amazonas (MP-AM).

O órgão agiu de forma célere ao interpor recurso em sentido estrito contra a liberdade provisória concedida anteriormente ao policial militar Belmiro Wellington Costa Xavier, durante audiência de custódia.

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A decisão que havia posto os suspeitos em liberdade, agora reformada, ignorou inicialmente a gravidade concreta do episódio.

No recurso, a promotora de Justiça Adriana Espinheira destacou o risco à ordem pública e indícios de que os agentes tentaram alterar a verdade dos fatos.

Trata-se de uma prática que tem se tornado alarmante no cenário da segurança pública do estado.

O MP-AM também se manifestou pela prisão do policial Hudson Marcelo Vilela de Campos.

Diante da pressão dos fatos e da robustez das provas, o juiz Alcides Carvalho Vieira Filho reconsiderou o entendimento anterior.

A análise de vídeos da abordagem foi determinante para desmentir a versão dos policiais militares: as imagens comprovam que o jovem não oferecia resistência no momento em que foi morto.

Indícios de execução

A decisão judicial atual sublinha o uso excessivo da força e a “perversidade” da ação, apontando inconsistências nas versões apresentadas pelos militares, que atuaram como justiceiros em vez de agentes da lei.

Com a expedição dos mandados de prisão, o caso entra em nova fase de instrução criminal, sob o olhar atento da sociedade manauara, que clama pelo fim da impunidade em crimes cometidos por fardados.

Foto: reprodução