Mulheres e interior devem decidir eleição no Amazonas

Eleitorado feminino já supera o masculino em quase 80 mil votos, enquanto os 61 municípios do interior reúnem 1,32 milhão de eleitores

Mulheres e interior devem decidir eleição no Amazonas

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 20/07/2026 às 20:13 | Atualizado em: 20/07/2026 às 20:15

Série especial BNC | Eleições 2026

As mulheres e os eleitores dos 61 municípios do interior formarão dois dos maiores centros de força da eleição de 2026 no Amazonas. E podem ser preponderantes para a escolha do presidente da República, o governador e dois senadores, sobretudo.

Os dados mais recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o estado possui 2.801.182 eleitores. Desse total, 1.440.590 são mulheres, o equivalente a 51,43% do eleitorado amazonense.

Os homens somam 1.360.592 eleitores, ou 48,57% do total. A diferença favorável ao eleitorado feminino chega, portanto, a 79.998 votos.

Os números revelam que nenhuma candidatura competitiva ao Governo do Amazonas, ao Senado ou à Presidência da República poderá tratar as demandas das mulheres como uma pauta secundária.

Saúde, segurança, emprego, renda, transporte, educação e proteção contra a violência doméstica tendem a ocupar espaço central na disputa pelo voto feminino.

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Maioria feminina aumenta

O predomínio das mulheres no eleitorado amazonense já aparecia nos dados de 2024, na eleição municipal, mas ficou um pouco maior.

Naquele levantamento, o Amazonas tinha 2.749.346 eleitores. As mulheres eram 1.408.880, correspondentes a 51,24% do total.

Em 2026, o número de eleitoras chegou a 1.440.590. Foram incorporadas 31.710 mulheres ao cadastro eleitoral.

No mesmo período, o eleitorado masculino passou de 1.340.466 para 1.360.592, crescimento de 20.126 registros.

Isso significa que, dos 51.836 novos eleitores registrados no Amazonas entre as duas bases, aproximadamente 61% são mulheres.

A diferença entre mulheres e homens, que era de 68.414 eleitores, aumentou para quase 80 mil.

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Interior reúne 1,32 milhão

O outro grande campo de disputa está fora de Manaus.

Os 61 municípios do interior somam 1.329.044 eleitores, correspondentes a 47,45% de todo o eleitorado do Amazonas.

Manaus permanece como o maior colégio eleitoral, com 1.472.138 eleitores, ou 52,55% do total estadual.

A pequena diferença proporcional, contudo, não permite que as campanhas concentrem suas estratégias apenas na capital.

Separadamente, nenhum município do interior se aproxima da força eleitoral de Manaus. Juntos, porém, os 61 municípios formam um bloco de 1,32 milhão de votos — apenas 143.094 eleitores a menos que a capital.

Na prática, uma vantagem obtida em Manaus pode ser reduzida ou até anulada pelo resultado agregado do interior.

Essa realidade ganha ainda mais importância nas disputas majoritárias, em que todos os votos do estado são somados para a escolha de governador, senador e presidente da República.

Capital perde pequena participação

Entre as bases de 2024 e 2026, Manaus ganhou 26.016 eleitores e passou de 1.446.122 para 1.472.138.

O interior, somado, cresceu em 25.820 eleitores, saindo de 1.303.224 para 1.329.044.

Embora os crescimentos absolutos tenham sido praticamente iguais, o interior ampliou ligeiramente sua participação no eleitorado estadual.

Em 2024, os municípios fora da capital concentravam 47,40% dos eleitores. Agora, representam 47,45%.

Manaus, por sua vez, passou de 52,60% para 52,55%.

A variação é pequena, mas reforça uma tendência política relevante: a capital não aumentou sua predominância sobre o restante do estado.

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Maiores colégios do interior

Manacapuru aparece como o maior colégio eleitoral do interior, com 81.250 eleitores.

Na sequência estão Itacoatiara, com 76.342; Parintins, com 73.461; Coari, com 51.970; e Tefé, com 50.443.

Iranduba possui 46.056 eleitores; Tabatinga, 40.390; Maués, 38.352; Humaitá, 34.965; e Manicoré, 33.881.

Esses dez municípios, considerados em conjunto, possuem mais de 526 mil eleitores. São fundamentais para qualquer estratégia que pretenda compensar uma eventual desvantagem em Manaus.

Também se destacam cidades que apresentaram crescimento expressivo entre as duas bases.

Tefé ganhou 2.231 eleitores; Tabatinga, 1.973; Lábrea, 1.957; Manacapuru, 1.898; Humaitá, 1.877; Itacoatiara, 1.722; e Parintins, 1.325.

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Disputa além do bolsonarismo

Nos últimos anos, Manaus consolidou a percepção de um eleitorado majoritariamente conservador e fortemente identificado com o bolsonarismo, especialmente nas eleições presidenciais.

Essa característica torna a capital estratégica para candidatos alinhados à direita. Mas, os números mostram que o domínio político de Manaus, por si só, não assegura uma vitória estadual.

O interior apresenta realidades econômicas, sociais e políticas muito diferentes das encontradas na capital.

Em muitos municípios, pesam mais diretamente questões como transporte fluvial, custo dos alimentos, acesso à saúde, presença de médicos, segurança nos rios, energia elétrica, produção rural, pesca, benefícios sociais e atuação das prefeituras.

As alianças com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e grupos políticos locais também costumam exercer influência maior do que na capital.

Por isso, o discurso que funciona em Manaus nem sempre produz o mesmo resultado em Parintins, Tefé, Tabatinga, Coari, Lábrea ou São Gabriel da Cachoeira.

Dois fatores que se cruzam

Mulheres e moradores do interior não são grupos separados. Uma parcela expressiva do eleitorado feminino vive justamente nos municípios fora de Manaus.

Os números não podem, portanto, ser simplesmente somados. Eles representam dois recortes que se cruzam e ajudam a mostrar onde estará uma parte decisiva da disputa.

As campanhas precisarão compreender tanto as demandas específicas das mulheres quanto as diferenças existentes entre a capital e o interior.

A candidatura que ignorar o eleitorado feminino abrirá mão da maioria dos votos disponíveis. E aquela que negligenciar o interior deixará praticamente metade do eleitorado estadual sem uma estratégia própria de aproximação.

A eleição no Amazonas poderá até começar pelas grandes mobilizações em Manaus, mas dificilmente será decidida apenas na capital.

Números-chave

•⁠ ⁠Eleitorado do Amazonas: 2.801.182

•⁠ ⁠Mulheres: 1.440.590 — 51,43%

•⁠ ⁠Homens: 1.360.592 — 48,57%

•⁠ ⁠Vantagem feminina: 79.998 eleitores

•⁠ ⁠Manaus: 1.472.138 — 52,55%

•⁠ ⁠Interior: 1.329.044 — 47,45%

•⁠ ⁠Crescimento desde a base de 2024: 51.836 eleitores

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral. Dados de 2026 carregados em 18 de julho. A comparação utiliza as bases eleitorais identificadas pelo TSE como referentes a 2024 e 2026.

Fotomontagem: BNC