Cúpula da Câmara concentra R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão

Hugo Motta e Julio Arcoverde lideram indicações após fim do sigilo imposto pelo STF.

Cúpula da Câmara concentra R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 20/04/2026 às 06:29 | Atualizado em: 20/04/2026 às 06:29

O novo regime de transparência sobre o Orçamento da União revelou uma forte concentração de poder financeiro na Câmara dos Deputados.

No último ano, um grupo restrito de apenas sete parlamentares, liderado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi responsável pela indicação de R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão.

O valor representa 20% (um quinto) do montante total de R$ 7,5 bilhões distribuídos pelos colegiados temáticos em 2025. A informação foi divulgada pelo Notícias ao Minuto.

Enquanto este pequeno grupo detém fatias bilionárias, o restante do orçamento (R$ 6 bilhões) foi dividido entre outros 423 deputados, evidenciando um abismo na distribuição de verbas destinadas às bases eleitorais.

O mapa da concentração

As emendas de comissão, que até 2024 eram criticadas por sua falta de transparência (o chamado “orçamento secreto”), passaram a ter seus autores identificados por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dados mostram quem são os principais “padrinhos” das verbas:

ParlamentarPartido/UFValor IndicadoObservação
Julio ArcoverdePP-PIR$ 244,3 milhõesEx-presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO).
Hugo MottaRepublicanos-PBR$ 180,5 milhõesPresidente da Câmara dos Deputados.
Marcos PereiraRepublicanos-SPR$ 138,2 milhõesPresidente nacional do Republicanos.

O deputado Julio Arcoverde justificou os valores em nota, afirmando que as indicações foram destinadas “de forma legal e transparente ao Piauí”, focando em infraestrutura e saúde.

Já Marcos Pereira pontuou que presidentes de partidos e líderes historicamente gerenciam mais recursos, negando que tenha operado sob sigilo: “Para mim, nunca foi um orçamento secreto, faço questão de divulgar”.

Leia mais

Hugo Motta afronta STF e aprova emendas ‘sem pai’ a toque de caixa

Elo político e eleitoral na Paraíba

O caso de Hugo Motta chama a atenção pela coincidência política. Quase metade de seus R$ 180,5 milhões foi enviada a municípios cujos prefeitos declararam apoio à pré-candidatura ao Senado de Nabor Wanderley, pai do deputado.

Motta defende que a divisão respeita acordos entre os Poderes e critérios das lideranças partidárias, priorizando áreas estruturantes. No entanto, o volume de recursos coincide com o movimento de Nabor para consolidar o apoio de 150 prefeitos paraibanos em sua futura disputa eleitoral.

A “sombra” das lideranças partidárias

Apesar do avanço na transparência, uma “zona cinzenta” permanece. Cerca de R$ 930 milhões foram indicados em nome das lideranças de quatro partidos (PP, União Brasil, Republicanos e PL).

Esse formato é alvo de críticas e monitoramento do STF, pois pode ser utilizado para omitir o nome do real parlamentar beneficiado.

A prática contraria a decisão do ministro Flávio Dino, que exige a identificação nominal do autor da despesa para evitar que o anonimato burle os princípios constitucionais de publicidade.

Entenda o recurso

  • O que são: verbas sugeridas pelas comissões do Congresso para áreas como Saúde e Infraestrutura.
  • Poder do Governo: o Executivo decide quando pagar (discrigionariedade), mas não pode usar o dinheiro para outros fins.
  • O que mudou: em 2025, o “padrinho” da verba passou a ser obrigatoriamente identificado nas atas do Congresso.

Leia mais em Notícias ao Minuto.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil