Escândalo do Banco Master põe direita e esquerda em teia de suspeitas
Prisão de Daniel Vorcaro expõe conexões profundas do banqueiro com líderes dos três poderes, de Lula e Bolsonaro a ministros do STF.
Da Redação do BNC Amazonas*
Publicado em: 10/03/2026 às 11:01 | Atualizado em: 10/03/2026 às 11:38
O que começou como uma investigação financeira sobre o Banco Master transformou-se em um dos maiores terremotos políticos dos últimos anos, arrastando nomes do primeiro escalão da República para o centro de uma disputa de narrativas.
A nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, ocorrida na última quarta-feira (4), serviu como estopim para uma troca de acusações mútua entre governistas e oposição, enquanto detalhes de uma vasta rede de influência emergem de quebras de sigilo e operações da Polícia Federal.
A crise, que ganhou corpo após a liquidação da instituição no ano passado, atinge transversalmente o espectro ideológico.
De um lado, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro são confrontados com doações vultosas de familiares de Vorcaro; de outro, o governo Lula precisa explicar reuniões fora da agenda e consultorias prestadas por figuras de proa do PT e do Judiciário ao banco.
Conexões à esquerda: o Palácio e as consultorias
O presidente Lula confirmou ter recebido Vorcaro no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, encontro intermediado pelo ex-ministro Guido Mantega, que atuava como consultor da instituição.
Embora o presidente defenda que a conversa foi técnica e que orientou uma investigação isenta pelo Banco Central, registros mostram que o banqueiro frequentou a Secretaria de Relações Institucionais em diversas ocasiões.
O caso também atinge o atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Seu escritório de advocacia prestou serviços ao Master no intervalo entre sua saída do STF e a entrada no ministério — e continuou operando sob o comando de sua família até agosto de 2025.
Paralelamente, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, vê sua gestão na Bahia sob lupa devido a contratos de exclusividade firmados com o Credcesta, produto ligado ao grupo de Vorcaro.
Conexões à direita: doações e a “emenda Master”
No campo da oposição, o cerco se fecha em torno de financiamentos de campanha. O pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e preso na última operação, foi o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro (R$ 3 milhões) e de Tarcísio de Freitas (R$ 2 milhões) em 2022.
No Congresso, o senador Ciro Nogueira (PP), descrito por Vorcaro em mensagens como “grande amigo de vida”, tornou-se alvo de críticas após apresentar uma proposta que elevaria a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Ou seja, medida que beneficiaria diretamente os correntistas do Master em caso de quebra e que foi apelidada nos bastidores de “emenda Master”.
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O “cabo de guerra” nos estados e municípios
O esquema não se limitou à capital federal. Governos estaduais e prefeituras estão sob investigação por investimentos de fundos de previdência de servidores em papéis do banco:
- – Rio de Janeiro: o governador Claudio Castro (PL) enfrenta a Operação Barco de Papel devido a aplicações do Rioprevidência.
- – Amapá: o senador Davi Alcolumbre (União) é ligado a indicações na Amprev, que aplicou quase R$ 400 milhões no Master em tempo recorde.
- – Distrito Federal: O governador Ibaneis Rocha (MDB) viu o BRB ser alvo da PF após a tentativa de compra de 58% das ações do Master.
O fator Judiciário
A tensão atinge o ápice com a menção aos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Embora os detalhes das citações corram sob sigilo, a presença de nomes da Suprema Corte no emaranhado de relações de Vorcaro trava o avanço de uma CPI no Senado.
Davi Alcolumbre já sinalizou que não pretende abrir a comissão, em um movimento lido como uma tentativa de “estancar a sangria” que ameaça atingir todos os pilares do poder.
*Com informações do Notícias ao Minuto.
Foto: divulgação
