Suspeita de gravação de reunião cria desconfiança no STF
Longos trechos vazados por site não seriam possíveis de reproduzir só de memória
Publicado em: 13/02/2026 às 22:02 | Atualizado em: 13/02/2026 às 22:03
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a suspeitar que uma reunião reservada da Corte tenha sido gravada clandestinamente como parte de uma estratégia de pressão interna.
A hipótese ganhou força após o site Poder360 divulgar trechos literais do encontro que discutiu a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master.
Nos bastidores, a avaliação é de que o nível de detalhamento das falas publicadas, com aspas diretas e raciocínios completos atribuídos a ministros, seria incompatível com reconstruções por memória, reforçando a suspeita de gravação de áudio.
O episódio ocorre em um ambiente já tensionado. Parte dos ministros demonstrava desconfiança após Toffoli determinar o envio ao STF de dados apreendidos na investigação que envolve Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal teriam citado, além de Toffoli, outros dois ministros, o que ampliou a cautela interna.
Segundo relatos, a principal suspeita é que a reunião tenha sido gravada na expectativa de que esses nomes fossem mencionados, para eventual uso como instrumento de constrangimento ou chantagem.
A seleção de trechos divulgados, considerada favorável a Toffoli, reforçou a desconfiança entre integrantes da Corte.
Assessores e servidores não participaram da reunião, e o acesso ao local foi restrito. Parte dos ministros desligou os celulares como medida preventiva.
Toffoli negou ter gravado ou vazado o conteúdo e sugeriu que o vazamento poderia ter partido da área técnica do tribunal, hipótese rechaçada por servidores.
Independentemente de confirmação formal, ministros afirmam que o episódio já resultou em quebra de confiança e afetou o funcionamento das reuniões reservadas do STF, aprofundando a crise interna na Corte.
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Foto: Ton Molina/STF
