‘Modo Marangoni’: Jesus Alves aposta em chaves e escrituras para chegar a Brasília
Secretário de David Almeida replica estratégia de sucesso do deputado paulista Fernando Marangoni, transformando a pasta de Habitação em vitrine eleitoral para 2026
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 12/02/2026 às 07:35 | Atualizado em: 12/02/2026 às 07:35
Na política brasileira, poucas ferramentas são tão potentes para transferência de votos quanto a entrega da casa própria ou do título definitivo de terra. É a materialização da dignidade em papel e tijolo. Quem compreendeu essa dinâmica com maestria foi Fernando Marangoni (União Brasil-SP). Ele saiu da Secretaria de Habitação de Santo André para uma cadeira na Câmara dos Deputados
Agora, a mais de 2.600 quilômetros do ABC Paulista, o secretário municipal de Habitação de Manaus, Jesus Alves, desenha uma trajetória espelhada na do paulista. O político de Eirunepé (AM) busca converter o canteiro de obras da prefeitura em capital político para chegar ao Congresso Nacional.
O “Benchmark” paulista
Fernando Marangoni tornou-se estudo de caso sobre como técnicos podem virar políticos de urnas cheias. À frente da habitação em Santo André e, posteriormente, como secretário executivo do Estado de São Paulo, Marangoni massificou a regularização fundiária.
Sua plataforma não era ideológica, era pragmática: entregar o documento da casa para quem morava na irregularidade. O resultado? Uma eleição confortável para deputado federal em 2022, sustentada por uma imagem de “tocador de obras” e solucionador de problemas urbanos.
A versão Manauara
Em Manaus, Jesus Alves opera sob a mesma lógica à frente da Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf). O prefeito David Almeida (Avante) não esconde a estratégia: ao anunciar Jesus como pré-candidato a deputado federal esta semana, Almeida sinaliza que a habitação será um dos carros-chefes de seu discurso em 2026.
Jesus não é um neófito. Em 2022, ele testou as urnas para deputado estadual. Saiu gigante, embora sem mandato. Foram 33.487 votos, uma votação expressiva que o colocaria dentro da Assembleia Legislativa em diversas outras legendas. Na ocasião, o MDB (seu partido à época) garantiu a vaga de Cristiano Dangelo, deixando Jesus na suplência devido ao quociente eleitoral e à engenharia partidária que, por vezes, pune os bem votados em chapas pesadas.
Fator “Máquina” e a Dobradinha
A diferença de 2022 para o cenário atual é a estrutura. Se antes Jesus corria por fora, agora ele é o “homem da habitação” de uma gestão reeleita.
O programa “Manaus, Minha Terra” e as metas agressivas de regularização fundiária (REURB) são a moeda de troca política junto às comunidades.
O “pulo do gato” nesta nova empreitada é a composição política desenhada por David Almeida. A entrada de Fernanda Aryel, filha do prefeito, na equação de apoio ou dobradinha, confere a Jesus Alves o selo de “candidato do coração” do paço municipal.
Transferir votos de um chefe do Executivo para um legislador é sempre um desafio, mas a associação com a família do prefeito e a entrega de produtos visíveis (moradia) tende a reduzir a fricção.
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Foto: João Viana/Semcom
