Habilidade política de Lula enquadra Alcolumbre e Ciro Nogueira

Acuados por investigações que ligam aliados ao banco Master e suspeitas de elos com o crime organizado, senadores recuam e sinalizam apoiar Jorge Messias para o STF

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 10/02/2026 às 22:27 | Atualizado em: 11/02/2026 às 01:57

O cenário político no Senado sofreu uma guinada pragmática nos últimos dias. O presidente Lula da Silva, reconhecido pela destreza em converter adversários em aliados, aproveita o cerco jurídico a expoentes do centrão para pavimentar a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O ponto de convergência entre os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) reside no avanço das investigações da Polícia Federal.

Na última sexta-feira (6), uma operação mirou a previdência dos servidores do Amapá (Amprev), que teria investido cerca de R$ 400 milhões no banco Master sob influência de aliados diretos de Alcolumbre.

Paralelamente, menções a Ciro Nogueira em apurações que envolvem o crime organizado e o banco Master elevam a pressão sobre o parlamentar piauiense.

Estratégia e sobrevivência

Lula demonstrou senso de oportunidade ao aguardar o momento de fragilidade da oposição para avançar com o nome de Messias.

Alcolumbre, que anteriormente tentou impor o ritmo da sabatina para fustigar o governo, mudou o tom.

O senador amapaense teria sinalizado que, em troca do esvaziamento de uma eventual Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o banco Master, que poderia expor crimes em ano eleitoral, facilitaria o rito de aprovação do indicado de Lula.

A mudança de postura de Nogueira é ainda mais emblemática. O presidente do PP, outrora crítico ferrenho da gestão petista, declarou publicamente que votará a favor de Jorge Messias, classificando-o como “honesto”.

Para analistas, o recuo é um movimento de sobrevivência política: ambos os senadores temem o isolamento e o avanço das investigações caso percam o apoio ou a interlocução com o Executivo.

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Xeque-mate no Legislativo

A estratégia governista contou ainda com decisões judiciais decisivas.

O desmembramento das investigações do banco Master pelo ministro Dias Toffoli, mantendo sob sua jurisdição os casos de detentores de foro privilegiado, deixou os parlamentares em alerta máximo.

Ao manter os canais de diálogo abertos e utilizar o peso das indicações ao STF como peça de tabuleiro, Lula reverteu a atitude de oposicionistas com habilidade.

O resultado é um Senado que, embora ideologicamente distante, caminha para entregar ao Planalto vitórias fundamentais em troca de blindagem política e manutenção de espaços no poder.

O “fio da meada” do xeque-mate

•⁠ ⁠O fator Amprev: Ao citar a operação da PF, você pode destacar que o “braço direito” de Alcolumbre ignorou alertas do TCU e do TCE para continuar aportando no Master. Isso tira o caráter de “erro administrativo” e coloca sob suspeita de má-fé deliberada.

•⁠ ⁠A conversão de Nogueira: O apoio de Ciro Nogueira a Messias é o “fato novo” que prova o xeque-mate. Um líder de oposição não elogia a “honestidade” de um indicado do governo sem que haja um cenário de contenção de danos por trás.

•⁠ ⁠A “mão” de Lula: A estratégia consistiu em não notificar o Senado oficialmente no momento do embate direto, esperando o “fato jurídico” (operação da PF) desidratar a resistência dos senadores.

Foto: Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado