Caso Master: Campos Neto é suspeito de ser fiador no BC da operação de Vorcaro

Relatórios apontavam a incapacidade do banco de honrar compromissos, captar recursos no mercado e manter os níveis mínimos de liquidez exigidos

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Publicado em: 26/01/2026 às 19:08 | Atualizado em: 26/01/2026 às 19:20

Durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, enfrentou uma grave crise de liquidez que se agravou ao longo de 2024, sem que houvesse intervenção direta da autoridade monetária.

Relatórios internos do próprio BC apontavam a incapacidade do banco de honrar compromissos, captar recursos no mercado e manter os níveis mínimos de liquidez exigidos, mas a instituição seguiu operando.

Desde o fim de 2023, o Master acumulava alertas. Em meados de 2024, documentos do BC registraram que o banco deveria levantar R$ 15 bilhões para demonstrar solidez, mas conseguiu apenas cerca de R$ 2 bilhões.

Em novembro, o BC identificou que o banco já não conseguia pagar obrigações vencidas. Mesmo assim, não houve liquidação ou intervenção.

Paralelamente, operações financeiras consideradas atípicas chamaram atenção dos técnicos do BC, incluindo empréstimos e movimentações envolvendo fundos ligados à Reag, empresa posteriormente citada na Operação Carbono Oculto.

Esses mecanismos teriam sido usados para inflar artificialmente ativos, simular liquidez e sustentar a emissão de CDBs acima das condições de mercado.

Com o agravamento da crise, o Banco de Brasília (BRB), estatal do Distrito Federal, passou a injetar bilhões de reais no Master a partir de julho de 2024, por meio da compra de carteiras de crédito de qualidade questionável.

O governador Ibaneis Rocha chegou a defender publicamente a aquisição de parte do banco, apesar dos balanços frágeis e da exposição acima dos limites regulatórios.

Na época da liquidação, já sob a presidência de Gabriel Galípolo no BC, o Master mantinha apenas R$ 22,9 milhões depositados no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), quando deveria ter cerca de R$ 2,5 bilhões.

O relatório final apontou uma sucessão de inconsistências, promessas de aportes que não se concretizaram e a inexistência de ativos líquidos suficientes para sustentar as operações.

Campos Neto deixou o comando do Banco Central em dezembro de 2024, defendendo a autonomia da instituição.

Coube a Galípolo conduzir a intervenção e lidar com o que técnicos classificam como o maior colapso bancário recente do país.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil