Bolsonaro: um cadáver político insepulto
Da bravata ao vitimismo, o ex-presidente expõe o colapso moral e político de quem atacou a democracia e agora tenta escapar da responsabilização judicial.
Por Aldenor Ferreira*
Publicado em: 17/01/2026 às 00:01 | Atualizado em: 17/01/2026 às 07:07
Há algo de profundamente revelador no comportamento de Jair Bolsonaro diante da Justiça. O homem que construiu sua imagem pública na bravata, no grito, na ameaça e no desprezo pelas instituições mostra agora aquilo que sempre foi: um sujeito sem coragem, sem moral para arcar com as consequências dos próprios atos.
Quando esteve no poder, Bolsonaro posou de valente. Falava em “enfrentar o sistema”, exaltava a violência, estimulava a ruptura institucional e alimentava uma base política movida pelo ódio, pela intolerância e pela mentira.
No entanto, fora do cargo, o personagem desmorona. O bravateiro dá lugar ao covarde; o autoritário, ao que se vitimiza; o falso forte, ao homem incapaz de sustentar o peso da própria história.
Um homem sem honra
Até para ser preso é preciso ter honra, caráter, dignidade, bravura e coragem. Não se trata de heroísmo, mas de responsabilidade. O que se vê, porém, é alguém que tenta transformar a punição em espetáculo, a lei em perseguição e o julgamento em vitimização. Mais grave ainda: mesmo diante de decisões judiciais, Bolsonaro insiste em tensionar o país, alimentar o caos político e manter sua militância em permanente estado de agitação.
Não estamos falando de um cidadão comum injustiçado. Estamos falando de alguém que ocupou a Presidência da República e que, durante esse período, atacou sistematicamente a democracia, afrontou o Estado de Direito e estimulou comportamentos criminosos. A conta chegou, como chega para qualquer criminoso julgado e condenado.
Não é hora de perdão. Perdão sem arrependimento é cumplicidade. Não é tempo de anistia moral, muito menos política. É tempo de cadeia. Cadeia como instrumento de justiça, não de revanche. Cadeia como afirmação de que ninguém está acima da lei, nem mesmo aqueles que um dia se imaginaram intocáveis.
Cadáver político
Bolsonaro é hoje um cadáver político insepulto. Já não tem futuro eleitoral, não tem projeto nacional, não tem estatura histórica. Ainda assim, como todo cadáver que não foi devidamente enterrado, segue exalando gases tóxicos, contaminando o ambiente político e tentando impedir que o país siga adiante.
A democracia brasileira só terá chance real de cicatrização quando esse passado for definitivamente encerrado, não pelo esquecimento, mas pela responsabilização. Justiça não é vingança. Justiça é condição mínima para que a história não se repita.
Bolsonaro já não mobiliza um projeto de país, não oferece horizonte político e não contribui em nada para a reconstrução democrática. Tornou-se um peso morto para o Brasil: não governa, não propõe, não lidera, apenas atrapalha.
Sua existência política atual se resume a tensionar instituições, sabotar consensos mínimos e manter o país preso a um passado recente que precisa, urgentemente, ser superado.
Considerações finais
Seguir adiante exige coragem institucional e maturidade democrática. Isso passa, necessariamente, por encerrar o ciclo Bolsonaro não no plano simbólico, mas no plano concreto da Justiça.
Um país sério não negocia com fantasmas, não se curva a chantagens e não se deixa refém de quem já foi julgado pela Justiça e pela História. O Brasil precisa virar a página. Com efeito, páginas só se viram quando o ponto final é escrito com lei, responsabilidade e firmeza.
Tenho dito!
*O autor é sociólogo.
