ZFM fatura bilhões, mas retorno ao Norte segue limitado

Vice-governador expõe paradoxo da ZFM em ano eleitoral e reacende debate sobre concentração de riqueza e baixo impacto social.

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Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 06/01/2026 às 13:42 | Atualizado em: 06/01/2026 às 13:42

O crescimento expressivo do polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM) contrasta com a permanência de baixos indicadores sociais no Amazonas. A avaliação é do vice-governador Tadeu de Souza (Avante), que assina artigo publicado no Poder360 ao apontar que, embora o modelo industrial gere faturamento bilionário e sustente parte relevante da economia nacional, seus efeitos ainda chegam de forma limitada à população da região Norte.

Segundo o vice-governador, a dinâmica econômica da ZFM consolidou cadeias produtivas, arrecadação e empregos formais, mas não conseguiu transformar essa riqueza em renda média mais elevada, redução consistente da pobreza ou melhoria estrutural da qualidade de vida.

O resultado é um modelo que produz muito, mas distribui pouco localmente, mantendo amplas parcelas da população dependentes da informalidade e de atividades de baixa remuneração.

Baixos indicadores do Amazonas

O artigo chama atenção para o fato de que o Amazonas, apesar de ser estratégico para a indústria e para a política ambiental do país, segue com renda domiciliar per capita abaixo da média nacional e com bolsões persistentes de pobreza extrema.

Para Tadeu de Souza, o desafio central não está apenas no volume de incentivos ou no desempenho industrial, mas na ausência de mecanismos capazes de internalizar os ganhos econômicos no território, fortalecendo fornecedores locais, pequenos negócios e políticas de formação profissional.

Ano sensível

A análise ganha peso adicional no atual contexto político do estado.

A partir de abril, Tadeu de Souza pode assumir o comando do Governo do Amazonas, caso o governador se afaste para disputar as eleições, ou optar por deixar o cargo para se lançar candidato ao Executivo estadual.

Em qualquer dos cenários, o posicionamento público do vice-governador sobre a ZFM e o federalismo fiscal funciona como sinalização política e programática para o eleitorado.

Pesquisas e análises publicadas pelo BNC Amazonas indicam que o debate sobre desenvolvimento regional, desigualdade social e redistribuição dos ganhos da ZFM tende a ocupar papel central na disputa eleitoral.

A crítica ao modelo que concentra riqueza e deixa pouco retorno direto ao Norte dialoga com uma percepção crescente da sociedade amazonense, especialmente fora do eixo industrial da capital.

Ao expor esse paradoxo, Tadeu de Souza insere o tema da Zona Franca de Manaus em uma agenda que ultrapassa a defesa dos incentivos fiscais e avança para a discussão sobre justiça econômica e social.

Trata-se, portanto, de um discurso que pode influenciar tanto o debate eleitoral quanto as futuras diretrizes de política pública para o Amazonas.

Para conhecer a íntegra da argumentação do vice-governador, leia o artigo original publicado no Poder360.

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Foto: divulgação/Ricardo Machado