Começa maior cheia da história do rio Negro

Morador do igarapé do Educandos prevê recorde em 2026 após acertar a cheia histórica de 2021.

Recorde da cheia 2021 será amanhã, diz o "Senhor das Águas"

Neuton Corrêa e Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 12/11/2025 às 19:35 | Atualizado em: 12/11/2025 às 23:50

O nível do rio Negro no porto de Manaus, após dois dias de vazante, registrou 18,93 metros nesta quarta-feira (12 de novembro) e marcou o início da nova fase de cheia.

Conforme o morador do igarapé do Educandos e ex-deputado estadual Erasmo Amazonas, que previu com antecedência a enchente recorde de 2021, o ano de 2026 poderá registrar a maior cheia da história.

Em 2021, o rio atingiu oficialmente 30,02 metros, superando todos os registros desde 1902. Para 2025, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) estimava que o nível poderia chegar a 28,68 metros, com 42% de probabilidade de inundação severa acima dos 29 metros.

O contraste reforça que o sistema hídrico da Amazônia central vive um momento de alta vulnerabilidade.

Histórico de cheias e o recorde de 2021

A cheia de 2021 atingiu 30,02 metros no dia 16 de junho, o nível mais alto já medido em Manaus.

Mais de 24 mil pessoas foram atingidas pela inundação em 15 bairros, principalmente nas áreas ribeirinhas da zona sul, onde estão igarapés como o do Educandos de Erasmo Amazonas

Estudos apontam que o fenômeno La Niña, responsável por intensas chuvas na Amazônia ocidental, foi o principal causador da enchente. A força das águas invadiu casas, interrompeu vias e deixou prejuízos de longo prazo para famílias ribeirinhas.

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Por que 2026 pode ser ainda mais crítico

Segundo Erasmo Amazonas, o atual ciclo de cheia começou mais cedo, com a interrupção prematura da vazante neste momento.

Essa inversão de padrão, na avaliação dele, antecipa o impacto de uma nova cheia histórica no próximo ano.

Técnicos do SGB, porém, indicam que a probabilidade de o rio ultrapassar os 30 metros é inferior a 1%, embora reconheçam uma tendência de elevação acima da média.

A alternância entre a seca extrema de 2023 e as cheias intensas que voltam a se formar cria um cenário de instabilidade hidrológica na região.

Esse comportamento irregular indica que o rio Negro pode continuar alternando extremos climáticos nos próximos anos, com secas e enchentes cada vez mais severas e imprevisíveis.

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Impactos esperados em Manaus

Se confirmada uma cheia acima dos padrões históricos, bairros como Educandos, Aparecida, São Raimundo e Glória devem sofrer os primeiros alagamentos já no primeiro semestre de 2026.

Entre os impactos esperados estão danos a moradias de madeira, interrupção de rotas de transporte fluvial e contaminação de igarapés urbanos.

Mesmo que o nível não atinja 30 metros, uma cheia elevada já seria suficiente para gerar crise humanitária e estrutural em Manaus, afetando diretamente comunidades ribeirinhas e famílias que vivem sobre palafitas.

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Quem é Erasmo Amazonas

Morador do igarapé do Educandos e ex-deputado estadual. Tornou-se conhecido por prever, com cinco meses de antecedência, a cheia recorde de 2021.

Foto: BNC Amazonas