Comando Vermelho domina Amazônia após queda da FDN
Desde 2018, avanço do Comando Vermelho e recuo da Família do Norte alteram o equilíbrio do crime organizado na região e acirram disputa silenciosa com o PCC pelas rotas internacionais de drogas.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 09/11/2025 às 09:34 | Atualizado em: 09/11/2025 às 09:34
O Comando Vermelho (CV) domina o tráfico de drogas na Amazônia desde 2018, após a queda da Família do Norte (FDN), facção que chegou a ser considerada pela Polícia Federal a terceira maior organização criminosa do país.
Conforme reportagem do g1 Amazonas, a expansão do CV abriu caminho para uma disputa silenciosa com o Primeiro Comando da Capital (PCC), que tenta avançar sobre as rotas internacionais de entorpecentes que cruzam a tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru — uma das mais estratégicas para o escoamento de cocaína da América do Sul.
A FDN perdeu força após uma sequência de massacres, prisões e rupturas internas. O estudo “Maneiras de fazer o crime, a guerra e o domínio das prisões do Amazonas” aponta que a ofensiva do CV desestruturou a antiga facção e mudou o equilíbrio do crime organizado na região.
Já o estudo “No Norte, tem Comando”, publicado pela Revista Brasileira de Sociologia, detalha que a FDN surgiu como uma facção regional que controlava o sistema prisional e exercia forte influência sobre o tráfico de drogas no Amazonas. A organização se estruturava em torno de códigos internos, punições e alianças, chegando a rivalizar com o PCC em número de integrantes e poder de fogo.
Segundo o historiador Joel Paviotti, a FDN nasceu entre 2006 e 2007 como uma união de traficantes que controlavam rotas fluviais e mantinham conexões com produtores estrangeiros.
“O avanço do PCC sobre essas rotas levou a FDN a se aliar ao Comando Vermelho, mas essa parceria acabou provocando uma crise no sistema penitenciário do estado”, explica.
Paviotti lembra que, nesse período, líderes do CV em presídios federais se aproximaram de Zé Roberto da Compensa — considerado o fundador da FDN — e estabeleceram vínculos com traficantes da Bolívia, Peru e Venezuela.
“Essas alianças permitiram ao grupo dominar a Rota Solimões e movimentar milhões de reais por mês. Mas o PCC passou a tentar controlar essa rota e intensificou os batismos em presídios do Norte, o que levou a confrontos”, afirma o pesquisador.
Fim da aliança, rebeliões e mortes
A ruptura entre CV e FDN, motivada por disputas internas e pelo controle das rotas do tráfico, deu início a uma escalada de violência.
A partir de 2017, o Comando Vermelho passou a atacar sistematicamente os rivais dentro e fora dos presídios, em massacres como o do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), que deixou dezenas de mortos.
“Depois dessas rebeliões, os principais líderes da FDN foram transferidos para presídios federais fora do estado e a facção praticamente deixou de existir. Conflitos internos enfraqueceram a organização, que acabou se desmembrando e dando origem ao Cartel do Norte (CDN)”, relata Paviotti.
Assim sendo, com a queda da FDN, o CV consolidou o domínio no estado e iniciou uma disputa silenciosa com o PCC.
“As duas facções estão ali disputando, mas devido ao tamanho da Amazônia, muitas vezes esses caras não vão se encontrar. Se resolverem disputar a rota Solimões, aí sim vão se digladiar corpo a corpo, mas geralmente evitam o embate direto”, conclui o pesquisador.
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Foto: reprodução
