Lula quer discutir sanções a ministros do STF em encontro com Trump na Malásia
Às vésperas de reunião com Trump, presidente brasileiro promete “defender o Brasil” e questionar punições dos EUA a ministros do Supremo
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 24/10/2025 às 09:06 | Atualizado em: 24/10/2025 às 09:11
O presidente Lula da Silva afirmou, na madrugada desta sexta-feira (24), que pretende discutir diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as sanções impostas por Washington a sete ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O encontro deve ocorrer na Malásia, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e o Encontro de Líderes do Leste Asiático (EAS).
A conversa, segundo Lula, será uma oportunidade para “defender os interesses do Brasil” e “mostrar que houve equívoco” nas medidas norte-americanas.
“Eu tenho todo o interesse em ter essa reunião, toda a disposição de defender os interesses do Brasil, mostrar que houve equívoco nas taxações ao Brasil. E quero discutir a punição que foi dada a ministros da Suprema Corte do Brasil, [algo que] não tem nenhuma explicação, nenhum entendimento”, declarou o presidente a jornalistas ao fim de sua visita à Indonésia.
As sanções dos Estados Unidos miram sete ministros do STF, em razão das decisões tomadas pela Corte durante o julgamento da trama golpista ocorrida no governo de Jair Bolsonaro. A medida foi vista pelo governo brasileiro como uma afronta à soberania nacional e à independência do Judiciário.
Será o primeiro encontro formal entre Lula e Trump, após um breve contato em setembro, nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.
Na ocasião, os dois trocaram rápidas palavras, mas o ex-presidente norte-americano chegou a dizer que havia sentido uma “química excelente” com o líder brasileiro.
Dias depois, eles voltaram a conversar por telefone, quando Lula pediu a retirada da sobretaxa de 50% aplicada a produtos brasileiros.
“Eu quero ter a oportunidade de dizer ao Trump o que o Brasil espera dos Estados Unidos e o que o Brasil tem para oferecer. Eu já disse no telefone: não existe veto a nenhum assunto”, afirmou Lula. “Não tem assunto proibido para um país do tamanho do Brasil conversar com um país do tamanho dos EUA. Vai ser uma reunião livre, a gente vai poder dizer o que quiser, ouvir o que quiser e o que não quiser também.”
Antes de seguir para a Malásia, Lula encerrou sua passagem pela Indonésia com uma série de encontros bilaterais e reuniões com empresários.
Ele destacou a necessidade de ampliar as relações comerciais com países asiáticos e elogiou o diálogo com o presidente indonésio, Prabowo Subianto.
“O mundo está a exigir dos líderes políticos muito mais vontade de negociar e fazer as coisas acontecerem. Não dá pra gente ficar no Brasil esperando que as pessoas cheguem. Nós, que temos interesse, temos que procurar as pessoas, oferecer o que o Brasil tem de bom”, afirmou.
*Com informações da Agência Brasil
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