Dedurado por Moro, Bolsonaro volta a ser investigado por interferir na PF

Gonet pede que STF reabra inquérito; recorde o que disse Bolsonaro a seus ministros.

Bolsonaro depoimento PF

Publicado em: 15/10/2025 às 19:04 | Atualizado em: 15/10/2025 às 19:06

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a reabertura do inquérito que apura a suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal (PF).
O pedido foi feito nesta quarta-feira (15) pelo procurador-geral Paulo Gonet, que defende uma investigação “com maior amplitude” sobre o caso.

A apuração nasceu em 2020, após denúncia de Sergio Moro (União-PR), então ministro da Justiça, que acusou o presidente de tentar controlar a PF para proteger aliados e familiares. A PF havia encerrado o inquérito sem encontrar provas, e o ex-procurador-geral Augusto Aras pediu o arquivamento — agora contestado.

Na reunião ministerial de 22 de abril de 2020, cujo vídeo foi tornado público por determinação do ministro Celso de Mello, do STF, no contexto do inquérito que investigava interferência na Polícia Federal, Bolsonaro foi flagrado confessando seus atos.

Na gravação, Bolsonaro se irrita ao falar de inteligência do governo e diz claramente que mexeria na PF e trocaria cargos para proteger a si e sua família, caso necessário.

A frase mais forte e central, usada inclusive no inquérito, foi:

“Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô! Eu tenho a PF que não me dá informações. Eu vou interferir, sim! Se não puder trocar alguém da segurança, troca! Troca o chefe, troca quem for!”

Outras frases de impacto ditas por Bolsonaro nessa reunião:

  • “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui. Acabou!”
  • “Não vou esperar foderem minha família ou meus amigos. Chega! Eu vou intervir!”
  • “Se a PF não me dá informações, eu troco o chefe da PF. Vai trocar! Se não trocar, troca o ministro!”
  • “Eu tenho o poder de trocar. Vou intervir e ponto final.”

Essas declarações foram usadas pela PGR e pelo STF como evidência de tentativa de interferência na PF para fins pessoais, o que deu origem ao inquérito das milícias digitais e, posteriormente, ao que se desdobrou no inquérito das fake news e atos antidemocráticos.

O novo pedido de Gonet reforça que há indícios de conexão entre o caso e as investigações das milícias digitais, que miram aliados e ex-assessores de Bolsonaro. A decisão sobre reabrir o inquérito cabe ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

Saiba mais no g1.

Leia mais

Como núcleo da desinformação de Bolsonaro atuou para 8 de Janeiro

Foto: Antonio Augusto/STF