Surto de ‘doença do garimpo’ atinge indígenas do sul do Amazonas

Malária avança com grande incidência sobre povo de recente contato com a sociedade das cidades

Indígenas Pirahãs

Da Redação do  BNC Amazonas

Publicado em: 02/10/2025 às 07:29 | Atualizado em: 02/10/2025 às 07:41

Um surto de malária atinge os indígenas pirahãs, povo de recente contato que vive na Terra Indígena Pirahã, no sul do Amazonas, às margens da BR-230 (Transamazônica). É o que informa nesta quinta, 2, o site do jornal Folha de S.Paulo, em texto assinado por Vinicius Sassine. 

O sul amazonense é uma das regiões mais afetadas pelo garimpo ilegal na Amazônia, vetor reconhecido da disseminação da doença.

Nos primeiros nove meses de 2025, foram notificados 398 casos de malária entre os cerca de mil indígenas pirahãs, segundo dados do Ministério da Saúde. Mulheres e crianças estão entre os principais atingidos, observa a reportagem. Apesar do alto número de infecções, não houve mortes desde 2023.

A Força Nacional do SUS foi acionada e atuou de 18 a 26 de setembro, realizando 332 testes rápidos e promovendo ações emergenciais de controle, como borrifação de casas, distribuição de mosquiteiros e vigilância clínica.

Malária e garimpo

A malária é conhecida como a “doença do garimpo” porque áreas de mineração em regiões de floresta concentram focos do mosquito transmissor e favorecem sua reprodução em lagoas abertas e cursos d’água alterados. No sul do Amazonas, onde a grilagem e a extração mineral avançam, a situação tem se agravado.

Para a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), a persistência da epidemia entre os pirahãs está diretamente ligada às pressões externas sobre o território, que incluem invasões e atividades ilegais. Relatórios de 2024 também registraram casos de desnutrição e insegurança alimentar, problemas que tiveram alguma melhora em 2025.

Conflito e tensão

A situação sanitária se soma a episódios de violência. No último dia 15, o agricultor José Ailton Teodoro dos Santos foi morto a flechadas após conflito com indígenas na região do rio Maici Mirim. Outro homem foi ferido. A Funai afirma que há histórico de “assédio territorial” contra os pirahãs por moradores do entorno.

Após a morte do agricultor, protestos e ataques virtuais com teor racista se espalharam contra os indígenas. O sul do Amazonas, além de ser uma das fronteiras do desmatamento, tornou-se palco de confrontos entre comunidades tradicionais e o avanço da grilagem e do garimpo.

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Foto: Luis Oliveira/Ministério da Saúde