Bastidores das 27 horas de julgamento que deram 27 anos de cadeia a Bolsonaro
Entre tensões e apartes, STF condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado
Publicado em: 13/09/2025 às 07:14 | Atualizado em: 13/09/2025 às 09:52
Em um julgamento que se estendeu por 27 horas e entrou para a história, o Supremo Tribunal Federal condenou (STF), pela primeira vez, um ex-presidente da República por tentativa de golpe de Estado.
Jair Bolsonaro (PL) recebeu pena de 27 anos e 3 meses de prisão, decisão anunciada na última quinta-feira (11) pela Primeira Turma da Corte, presidida por Cristiano Zanin.
O ambiente foi marcado por apartes e divergências. O ministro Luiz Fux se isolou, ao ser alvo de críticas e ironias de colegas como Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que se alinharam a Zanin.
Durante o voto de Cármen, que ultrapassou 350 páginas, Fux chegou a sair do plenário e demonstrou incômodo com os apartes.
A condenação ganhou força após a exibição de vídeos de 7 de setembro de 2021, quando Bolsonaro atacou o STF, e de 8 de janeiro de 2023, quando golpistas invadiram as sedes dos Três Poderes.
Moraes foi enfático ao responsabilizar diretamente o ex-presidente como líder da trama.
Nos bastidores, advogados e parlamentares acompanharam atentos. A defesa de Bolsonaro deixou o plenário antes da sentença, enquanto aliados da oposição discutiam estratégias no Congresso para tentar votar anistia aos condenados, já rechaçada por governistas.
Cobertura imprensa
A sessão atraiu grande repercussão: pelo menos 55 jornalistas estrangeiros cobriram o julgamento, que terminou com um pronunciamento de Luís Roberto Barroso, presidente do STF.
Ele destacou que “ninguém sai feliz com o resultado, mas é preciso cumprir com coragem e serenidade as missões que a vida impõe”.
Leia a reportagem completa de Vinícius Nunes em Carta Capital.
Foto: Antonio Augusto/STF
