Matizada conta trajetória da ciranda de Manacapuru
Desde que a dança chegou ao Brasil, por meio dos portugueses, até a sua introdução na região.
Dassuem Nogueira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 31/08/2025 às 15:34 | Atualizado em: 31/08/2025 às 15:34
A ciranda Flor Matizada encerra neste domingo (31 de agosto) as apresentações do 27º Festival de Ciranda de Manacapuru.
A Matizada tem como característica levar para o parque do Ingá enredos autorais abstratos. Nesta edição, o tema da lilás e branco é “Amazônia, sonho e luta cirandeira”.
O tema promete levar os expectadores a conhecer a história da ciranda pelo mundo dos sonhos, onde não há divisão entre realidade, imaginação e consciência humana.
O tema promete contar o processo de “amazonização” da ciranda, desde que a dança chegou ao Brasil, por meio dos portugueses, até a sua introdução na região.
Em Manacapuru, a ciranda incorpora a cultura amazônica, tornando-se a maior expressão da cultura local.
A Flor Matizada, a ciranda mais antiga, foi fundada há 45 anos, na escola Nossa Senhora de Nazaré, no centro da cidade, onde é o seu reduto. Está em busca do seu 11º título.
A flor de manacá
Manacapuru é uma palavra em nheengatu, língua intertribal amazônica.
Manacá quer dizer flor, e puru, matizada, colorida, enfeitada.
Manacapuru teria sido uma importante líder mura, povo que se instalou na região vindo do rio Madeira, no último terço do século 18.
A ciranda adotou lilás e branco porque essas são as cores da flor que se chama manacá.
No enredo deste ano, a Amazônia, ameaçada pela destruição, deverá ser salva pela flor mais bela do mundo, a flor matizada.
Musicalidade marcante
O álbum 2025 está recheado de referências à trajetória sonora da ciranda, como o frevo pernambucano e ciranda tradicional portuguesa.
Uma das marcas da Flor Matizada é a sua popularidade musical.
“Palco de cirandeiro”, composição de Paulo Roberto “Zinho”, Gamaniel Pinheiro e Sidney Seixas, é uma das mais famosas do gênero, para além do festival de cirandas.
Zezinho Corrêa, falecido artista do grupo Carrapicho, gravou o primeiro álbum da Flor Matizada, “Raízes de um povo milenar”, de 2000.
Nele, dividiu algumas cirandadas com Dermilson Andrade, compositor e cantador de cirandada, expoente do gênero.
Zezinho foi um dos primeiros cantores a incorporar as cirandadas em seu repertório, tal como no álbum “Baticundum” (1993), do Carrapicho, no qual a última faixa é a música tradicional da ciranda.
Márcia Siqueira, Mara Lima, Davi Assayag, Edilson Santana e Joba (banda Warilou) também gravaram cirandadas da Flor Matizada em álbuns autorais.
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Foto: Dassuem Nogueira
