Para andar de bicicleta

Publicado em: 13/10/2009 às 00:00 | Atualizado em: 13/10/2009 às 00:00

Wilson Nogueira*

Professores e alunos Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) pretendem pautar, para a sociedade, um debate sobre a importância do uso da bicicleta como opção de locomoção da população. Ao menos é isso o que sugerem ao anunciar que irão verificar, na Avenida Djalma Batista, a provável conveniência da implantação de ciclovias em corredores estratégicos da cidade. A atitude é relevante, embora sem o tratamento merecido dos chamados meios de comunicação social. Li essa notícia numa coluna de leitura rápida de um jornal local.

Uma das tarefas dos acadêmicos será medir a duração do percurso através de carro na extensão da avenida, em vários momentos, para compará-la com o tempo despendido no deslocamento com bicicleta. É obvio que, nos horários de congestionamento, leva-se até menos tempo caminhando, principalmente nos pequenos trajetos, do que viajando em automóvel. Testes idênticos já foram aplicados em outras cidades e os resultados são mais que favoráveis às bicicletas. Há, no entanto, outros fatores sujeitos à verificação, afinal pedalar é uma opção de deslocamento e não o remédio infalível para salvar tráfego das grandes cidades.

Mais importante que o resultado da pesquisa é a oportunidade que ela suscita à busca da solução a um problema que aflige a todos nós. Os carros, em enxurrada, tornaram-se um problema de saúde publica. De Tóquio a Manaus, ninguém mais suporta os transtornos do trânsito. O Planeta, por sua vez, entope-se dióxido de carbono e reage, desfavoravelmente, à qualidade de vida de todos os seres. O carro é hoje um contra-senso, e o será até que se adéque a padrões ecológicos necessários ao bom funcionamento do planeta. Enquanto permanecer esse quadro, melhor mesmo é usá-lo com certa parcimônia, em combinação e em colaboração com outros meios de locomoção.

A bicicleta é o símbolo da insatisfação das megalópoles e metrópoles contra o estresse no trânsito e envenenamento do ar. Pedalar é saudável! Multidões tem ido às ruas reivindicar ciclovias. No Brasil, os ciclistas de São Paulo são um bom exemplo desse movimento que estimula o Poder Público a reinventar o transporte urbano. Governantes atentos e responsáveis sabem que o aperfeiçoamento do tráfego urbano depende de equipamentos, leis, serviços e da mudança de hábitos das gerações que se acostumaram a usar o carro até para comprar pão quente na esquina. Sabem, também, que o diálogo com a sociedade é caminho mais fácil para consegui-los. A boa ação, nesse caso, exige apenas vontade política.

O pessoal da Ulbra, a meu ver, cria o fato para que se estabeleça um debate sobre a qualidade do trânsito em Manaus. Mas é bem provável que essa idéia seja ignorada pelos gestores da cidade, porque não se trata de nada faraônico, de milhões de dólares. Além do mais, contraria o interesse dos vendedores de carros e dos construtores de viadutos. Resta, então, esperar que o tema seja compreendido e encapado pela sociedade. A experiência de outros países demonstra que o uso da bicicleta em grandes cidades é viável e faz bem ao trânsito e à saúde.

*Sociólogo, jornalista e escritor.

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