A Amazônia e o Papa
Publicado em: 21/03/2013 às 00:00 | Atualizado em: 21/03/2013 às 00:00
Ivânia Vieira
Da tenda aberta, em 1972, pela Igreja Católica sobre a Amazônia – uma ação firme realizada por religiosos, leigos e pesquisadores comprometidos com a região – à criação da Comissão da Amazônia, em 2008, na estrutura oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os bispos que atuam nessa parte do mundo têm a tarefa de reapresentar esse universo ao Papa Francisco. E à própria CNBB.
Alguns religiosos católicos tiveram papel importante na inclusão da pauta amazônica no âmbito das ações da Igreja no País. Moacyr Grechi, Pedro Casaldáliga foram e são bispos que encarnaram a Amazônia e bradaram em tempos duros e sangrentos em defesa dos povos amazônicos. Em tempo mais recente, também de dificuldades, censuras, represálias e violência, apesar da democracia, somaram-se a essa luta outras vozes e, aqui, registramos o esforço de dom Luiz Soares Vieira que acaba de deixar o arcebispado de Manaus.
Dom Luiz instalou, na residência episcopal,em Manaus, um fórum não oficial para debater temas da Amazônia. Colocou o material debaixo do braço e o apresentou na assembleia nacional dos bispos, em Itaici. Surgiu a Comissão da Amazônia dentro da CNBB.
As questões da Amazônia no Brasil e no mundo permanecem. Aliás, em determinados aspectos, foram agravadas. Por isso, os compromissos dessa Igreja, assumidos no histórico encontro de Santarém há 41 anos, precisam ser ressignificados para animar as resistências dos povos diante de grandes projetos e da etiqueta de impossibilidade com que a região é tratada pelos governos.
Fazer isso não é apenas um dever para com os mártires do passado e do presente desta região; para com os missionários como Umberto Guidotti, Albano Termus, Claudio Perani (este falecido em agosto de 2008)… cujas vidas estão imbricadas a da Amazônia. É traduzir na fé e na ação os desafios do tempo de agora.
O Papa Francisco, ao olhar o mundo em outra perspectiva e ao eleger o legado franciscano como compromisso pode colocar a Amazônia na centralidade de um outro debate. Os pastores que nela atuam têm a tarefa de ser veículo.
*Jornalista, professora no Curso de Comunicação Social da Ufam.
