Quase 30 milhões de brasileiros já têm facções e milícias como vizinhos

Segundo pesquisa, presença do crime organizado cresce e reforça domínio sobre comunidades e mercados locais

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 16/10/2025 às 09:05 | Atualizado em: 16/10/2025 às 09:06

O crime organizado, que reúne facções e milícias, já faz parte do cotidiano de 19% da população brasileira, o equivalente a 28,5 milhões de pessoas, segundo pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O dado revela um crescimento de cinco pontos percentuais em relação a 2024, quando 14% dos entrevistados relataram a presença desses grupos em seus bairros.

O avanço, segundo especialistas, indica maior poder de captura territorial e econômica dessas organizações.

“Os dados mostram um fenômeno de expansão e fortalecimento das facções no controle de territórios e mercados”, afirmou Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum.

A pesquisa ouviu 2.007 pessoas em 130 municípios, entre 2 e 6 de junho, e aponta que o problema é mais frequente em capitais e grandes cidades do Nordeste.

Foto: Folha de S. Paulo

Desigualdade e efeitos sociais

A presença de facções e milícias atinge diferentes classes sociais, mas é mais intensa entre pessoas negras: 23% afirmaram conviver com o crime, contra 13% dos brancos.

Moradores dessas áreas também relatam maior exposição à violência, como cemitérios clandestinos (27%) e cracolândias (40%).

Outro dado preocupante é o dos desaparecimentos: 8% dos entrevistados — cerca de 13 milhões de brasileiros — disseram ter parentes ou conhecidos que sumiram.

Para o FBSP, os números reforçam a falta de coordenação entre órgãos de segurança.

“Quando há integração, o resultado é positivo. Mas, diante da dimensão do problema, a resposta ainda é muito limitada”, alertou Lima.

Saiba mais em Folha de S. Paulo.

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