Plano para agredir violentamente jornalista leva Daniel Vorcaro à prisão
Ministro do STF cita mensagens que indicam tentativa de simular assalto para intimidar o jornalista Lauro Jardim.
Publicado em: 04/03/2026 às 09:06 | Atualizado em: 04/03/2026 às 09:14
A decisão que determinou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro aponta um plano de agressão contra o jornalista Lauro Jardim, do O Globo.
Segundo o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, há indícios de que o dono do Banco Master autorizou a simulação de um assalto para intimidar o colunista.
A decisão afirma que a intenção seria “prejudicar violentamente” o jornalista e “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro mostram conversas em um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”.
Nos diálogos analisados pelos investigadores, Vorcaro aparece identificado como “DV”.
Diálogo citado na decisão
MOURÃO: Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? hrs hein Lanço uma nova sua? Positiva.
DV: Sim
MOURÃO: Cara escroto.
DV: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.
MOURÃO: Vou fazer isto.
(…)
DV: Esse lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.
A investigação aponta que a execução da ação seria coordenada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” ou “Sicário”.
De acordo com a Polícia Federal, ele atuava na vigilância e no levantamento de informações sobre pessoas ligadas a investigações ou críticas ao Banco Master.
Os investigadores também identificaram acessos indevidos a sistemas restritos, incluindo bases da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e bancos de dados internacionais.
A decisão menciona ainda tentativas de remover conteúdos da internet por meio de comunicações falsas que simulavam solicitações oficiais de órgãos públicos.
O grupo “A Turma”, segundo a investigação, reunia integrantes com diferentes perfis, incluindo um ex-diretor do Banco Central, um ex-chefe de departamento da mesma instituição, um policial civil aposentado e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Mensagens analisadas indicam ainda pagamentos regulares a Mourão. Ele teria recebido cerca de R$ 1 milhão por mês para coordenar atividades de vigilância e monitoramento.
Para a Polícia Federal, o conjunto de provas sugere a existência de uma estrutura organizada para vigilância, obtenção irregular de dados e intimidação de críticos.
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Foto: divulgação
