PGR revela detalhes do plano golpista de Bolsonaro para se manter no poder

Denúncia descreve ataques às urnas, minutas de ruptura, articulação com militares e 8 de Janeiro.

Repercussão na imprensa mundial sobre conteúdo do celular de Bolsonaro

Publicado em: 01/09/2025 às 11:25 | Atualizado em: 01/09/2025 às 22:59

A Procuradoria-Geral da República (PGR) detalhou como Jair Bolsonaro tentou se manter no poder após perder as eleições.

De acordo com o Estadão, a denúncia descreve um roteiro de quase dois anos, com ataques às urnas eletrônicas, manipulação política, articulação com militares e ações violentas. Esse plano culmina nos atos de 8 de janeiro e agora, neste mês de setembro, será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) junto de seus comparças.

Cronologia do plano

  • • 29 de julho de 2021 – Em live no Planalto, Bolsonaro e Anderson Torres apresentam supostas fraudes nas urnas, classificadas pela Polícia Federal (PF) como falsas;
  • • 7 de setembro de 2021 – No Dia da Independência, Bolsonaro ataca o STF em discursos radicais, e a PF identifica risco real de ruptura institucional;
  • • 5 de julho de 2022 – O então presidente reúne ministros e ordena reforço à narrativa de fraude, além de atacar Lula e magistrados do STF.
  • • 18 de julho de 2022 – No Alvorada, Bolsonaro convoca embaixadores para repetir ataques ao sistema eleitoral, movimento avaliado pela PGR como estratégico para questionar o pleito.
  • • 22 de novembro de 2022 – O Partido Liberal (PL) pede a anulação de votos em urnas antigas, com base em relatório manipulado do Instituto Voto Legal.
  • • 6 e 7 de dezembro de 2022 – Surgem minutas de decreto golpista prevendo prisão de Alexandre de Moraes e convocação de novas eleições. Bolsonaro apresenta o texto a militares, mas não conquista apoio.
  • • 30 de dezembro de 2022 – Bolsonaro viaja aos Estados Unidos, deixando o país antes da posse de Lula.
  • • 8 de janeiro de 2023 – Milhares de apoiadores invadem e depredam as sedes dos Três Poderes. Segundo a PGR, a ação buscava provocar caos e justificar intervenção militar.

Esses episódios, reunidos pela PGR e pela PF, sustentam agora a acusação contra Bolsonaro, militares de alta patente, um deputado e um ex-ministro.

O julgamento, marcado para 2 de setembro, será inédito: pela primeira vez na história, um ex-presidente da República sentará no banco dos réus do STF por tentativa de golpe de Estado.

Confira a cronologia, na íntegra, na reportagem de Weslley Galzo e Guilherme Caetano no Estadão.

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Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República