Imortal: Ana Maria Gonçalves é a primeira mulher negra a integrar a ABL

Escritora mineira ocupa a cadeira 33 da ABL e defende maior diversidade na instituição: “É hora de representar todas as línguas faladas pelo nosso povo”

Publicado em: 08/11/2025 às 14:03 | Atualizado em: 08/11/2025 às 14:03

A escritora Ana Maria Gonçalves fez história nesta sexta-feira (7), ao tomar posse na cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Com isso, torna-se a primeira mulher negra a integrar a mais tradicional instituição literária do país.

A cerimônia ocorreu no Petit Trianon, sede da ABL, no Centro do Rio de Janeiro, e marcou a sucessão do acadêmico Evanildo Bechara, falecido em maio deste ano.

De acordo com informações Poder 360, a nova imortal foi recebida pela antropóloga e escritora Lilia Schwarcz, que a saudou em nome da Academia.

Ana Maria Machado fez a entrega do colar da instituição, enquanto Gilberto Gil conduziu o momento simbólico da entrega do diploma.

A comissão de entrada foi formada por Rosiska Darcy de Oliveira, Fernanda Montenegro e Miriam Leitão, e a comissão de saída, responsável pela condução do processo sucessório, contou com Domício Proença Filho, Geraldo Carneiro e Eduardo Giannetti.

Nascida em Ibiá, Minas Gerais, em 1970, Ana Maria Gonçalves, de 54 anos, é agora a acadêmica mais jovem entre os atuais integrantes da ABL. Seus pais e familiares acompanharam emocionados a cerimônia que consagrou a trajetória da autora de Um defeito de cor, obra reconhecida como uma das mais importantes da literatura afro-brasileira contemporânea.

Em seu discurso de posse, Ana Maria destacou o simbolismo de sua entrada e o papel da diversidade dentro da ABL.

“Acredito que a discussão em torno da candidatura da escritora Conceição Evaristo em 2018 contribuiu para eu estar aqui hoje. Independentemente do resultado, foi uma candidatura que fez com que a ABL olhasse para si e, diante da sociedade, finalmente percebesse o quão homogênea ainda era, o quanto falhava em representar dentro de seus quadros todas as línguas faladas pelo nosso povo”, afirmou.

Com a chegada de Ana Maria Gonçalves, a Academia Brasileira de Letras — fundada em 1897 e historicamente marcada pela presença de homens brancos — dá um passo significativo rumo à representatividade e à pluralidade cultural que compõem a literatura brasileira.

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil