Fraudes financeiras: Fiscalização do BC identifica 9 milhões

Os indícios de fraudes no primeiro semestre de 2026 são liderados pelo Pix e celular.

Publicado em: 18/07/2026 às 10:15 | Atualizado em: 18/07/2026 às 10:16

O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil apresentou uma alta de 10,26% no primeiro semestre de 2026, somando mais de 9 milhões de ocorrências entre casos suspeitos e confirmados. No semestre anterior, o país havia contabilizado 8,26 milhões de registros.

De acordo com um levantamento da datatech Quod, o crescimento reflete diretamente o amadurecimento dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central (BC), que tornou obrigatório e mais robusto o compartilhamento de informações sobre golpes entre os bancos.

Os dados foram unificados por meio do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base colaborativa criada para centralizar dados de segurança e rastrear o padrão de atuação dos criminosos. Os principais indicadores do período revelam:

Canais e Ferramentas: O ambiente digital concentra quase a totalidade das ações. O celular foi o canal utilizado em 78% dos casos, as contas correntes apareceram em 94% dos indícios e o Pix foi o meio de pagamento preferido, presente em 85% das movimentações.

Engenharia Social: A manipulação psicológica e os golpes táticos — em que a vítima é induzida a fazer a transferência — continuam na liderança, respondendo por 40% das ocorrências (3,6 milhões de casos).

Perfil das Vítimas: O levantamento aponta que os jovens de 18 a 34 anos são os alvos principais, representando 49,06% do total. Além disso, 58% das vítimas recebem até dois salários mínimos.

Alta Reincidência: Ao todo, 3,1 milhões de brasileiros foram lesados nos primeiros seis meses do ano. Desse montante, cerca de 799 mil pessoas (um quarto do total) sofreram golpes duas vezes ou mais no mesmo período.

Embora os números assustem, especialistas avaliam que o aumento de 10% não indica necessariamente um colapso na segurança, mas sim o fim da subnotificação no sistema financeiro, já que tentativas de golpes que antes ficavam ocultas agora alimentam a inteligência coletiva dos bancos.

Para mitigar novos prejuízos, a recomendação de segurança é que os usuários evitem transações financeiras apressadas durante momentos de distração, desconfiem de links recebidos por mensagens e jamais emprestem contas bancárias a terceiros.

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Foto: Banco de Imagens