Falta de armazéns pode travar escoamento da supersafra de grãos no Brasil
Estimativa aponta déficit recorde de armazenagem em 2026, cenário que pode reduzir competitividade do agronegócio.
Publicado em: 15/03/2026 às 07:56 | Atualizado em: 15/03/2026 às 09:11
O Brasil pode enfrentar em 2026 o maior déficit de armazenagem de grãos da série histórica. A capacidade de estocagem ficará 135,4 milhões de toneladas abaixo da produção estimada, que deve alcançar 353,4 milhões de toneladas.
Os dados são da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, com base em números da Companhia Nacional de Abastecimento (CNA).
Pelas estimativas, os armazéns existentes conseguirão guardar apenas 61,7% da safra, o menor índice em duas décadas.
A produção brasileira cresceu rapidamente nas últimas décadas, impulsionada pela expansão das áreas agrícolas e pelo avanço tecnológico no campo. A infraestrutura de armazenagem, porém, não acompanhou o mesmo ritmo.
Impacto para produtores
Sem espaço para estocar a produção, muitos agricultores são obrigados a vender os grãos logo após a colheita, o que reduz o poder de negociação e aumenta os custos logísticos.
Nesse cenário, caminhões acabam funcionando como “armazéns sobre rodas”, pressionando portos, ferrovias e rodovias durante o escoamento da safra.
Produtores também ficam mais dependentes das grandes tradings internacionais que dominam o comércio global de grãos.
Custos e dificuldades
Especialistas apontam que o investimento em novos armazéns esbarra principalmente em juros elevados e alto custo de construção.
Segundo produtores e executivos do setor, um armazém pode exigir investimentos entre R$ 10 milhões e R$ 25 milhões, além de apresentar retorno financeiro de longo prazo.
Pesquisa da CNA mostra que 63% dos produtores apontam o custo de construção como principal obstáculo para ampliar a armazenagem, enquanto 35% citam linhas de crédito pouco atrativas.
Para analistas do setor, ampliar a capacidade de armazenagem ajudaria a distribuir melhor o escoamento da produção ao longo do ano e reduzir a pressão sobre a infraestrutura de transporte.
Especialistas defendem ainda um mapeamento mais detalhado dos gargalos logísticos, para identificar onde a falta de armazéns afeta mais a cadeia do agronegócio.
Leia na íntegra em O Globo.
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Foto: divulgação
