Em dia de condenação no STF, Senado avisa: anistia a Bolsonaro não passa da CCJ

Se aprovado por deputados, projeto para proteger golpistas naufraga entre senadores

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 09/09/2025 às 15:54 | Atualizado em: 09/09/2025 às 15:54

Enquanto o STF avança com votos pela condenação de Bolsonaro e outros réus pela tentativa de golpe de Estado, a proposta de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro encontra resistência firme no Senado.

A principal barreira está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Otto Alencar (PSD-BA), que se posicionou contra qualquer medida ampla de perdão. Para ele, seria “inadmissível” perdoar quem depredou a Praça dos Três Poderes, especialmente se isso beneficiar diretamente o ex-presidente.

Alencar reforça que o Congresso não pode sobrepor-se às decisões do STF. Nos bastidores, aliados do bolsonarismo tentam avançar, mas a sinalização da CCJ já deixa o projeto praticamente inviável.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também se opõe à anistia geral, aumentando a dificuldade de aprovação no plenário.

Ainda assim, há negociação para uma alternativa mais restrita.

Alcolumbre articula um texto que poderia ser apresentado ainda este mês, prevendo perdão apenas para quem participou da destruição do patrimônio público, sem beneficiar articuladores e financiadores da tentativa de golpe.

A proposta conta com interlocução de Alessandro Vieira (MDB-SE), Sergio Moro (União-PR), ministros do STF e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

No cenário político, a expectativa é de que a anistia ampla seja arquivada, de forma semelhante ao destino dos 29 pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes, que permanecem parados na presidência do Senado.

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Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado