Discurso golpista de Bolsonaro ganha nova roupagem com Tarcísio
Analistas veem paralelos diretos com a manifestação de Bolsonaro em 2021.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 08/09/2025 às 04:55 | Atualizado em: 08/09/2025 às 04:58
No discurso que fez neste dia de 7 de Setembro, em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) adotou um tom inflamado que remeteu diretamente ao discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro, no mesmo feriado, quatro anos antes.
Diante de uma plateia mobilizada, Tarcísio declarou:
“Não vamos aceitar a ditadura de um Poder sobre o outro. […] Ninguém aguenta mais tirania de um ministro como Moraes. Nós não vamos mais aceitar que nenhum ditador diga o que a gente tem que fazer.”
Segundo o ICL Notícias, a escolha das palavras e da data não passou despercebida. Analistas veem paralelos diretos com a manifestação de Bolsonaro em 2021, quando o então presidente atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes, chamando-o de “canalha”, e afirmou que não cumpriria mais decisões da Corte. Naquele ato, Bolsonaro chegou a dizer que “só Deus” poderia tirá-lo de Brasília, em um recado de enfrentamento aberto ao Judiciário.
Bandeiras dos EUA e simbolismo bolsonarista
Assim como em 2021, apoiadores voltaram a erguer bandeiras dos Estados Unidos durante o desfile, um gesto que reforça a identificação com pautas internacionais e contrasta com o caráter histórico da celebração da Independência.
Dessa forma, para especialistas, esse simbolismo expõe o paradoxo do bolsonarismo: combina discurso nacionalista com referências externas para sustentar sua narrativa.
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Continuidade da estratégia de confronto
O uso do 7 de Setembro como palco político já havia se mostrado decisivo no passado. Em 2021, os atos abriram caminho para a escalada golpista que ganharia corpo nos anos seguintes.
Agora, em 2025, o discurso de Tarcísio é visto como uma continuidade dessa estratégia, deslocada para um governador com ambições nacionais claras.
Para observadores, o gesto fortalece três pontos:
- Reforça vínculos com a base bolsonarista mais radical, que mantém o STF como alvo preferencial;
- Sinaliza herança política do discurso de confronto que marcou Bolsonaro;
- Projeta Tarcísio no tabuleiro eleitoral de 2026, apresentando-o como sucessor natural do bolsonarismo.
Reações e perspectivas
Se em 2021 Bolsonaro precisou recuar após críticas e pressão institucional, Tarcísio agora se arrisca a repetir a mesma fórmula, apostando no desgaste da relação entre Executivo e Judiciário como motor de mobilização política.
Portanto, para aliados, trata-se de um movimento calculado que consolida sua imagem nacional. Para críticos, é mais um sinal de que a retórica autoritária não apenas sobrevive, mas se fortalece em novas figuras que buscam protagonismo no cenário presidencial.
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Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de São Paulo
