Detecção do metanol na bebida pode sair de pesquisa na Paraíba

Método, criado por pesquisadores do departamento de Química da UEPB, consegue identificar adulterações em poucos minutos.

Detecção do metanol na bebida pode sair de pesquisa na Paraíba

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 07/10/2025 às 09:18 | Atualizado em: 07/10/2025 às 09:23

Um método inédito e rápido para detectar metanol em bebidas alcoólicas, mesmo em garrafas lacradas, poderá sair da Paraíba. É que o estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo.

De acordo com o Ministério da Saúde, até esta segunda-feira (6) havia 200 casos sob investigação, 17 confirmados e duas mortes relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas — outras 13 mortes seguem em apuração.

Conforme a Folha, o novo sistema, criado por pesquisadores do Departamento de Química e do Programa de Pós-graduação em Química da UEPB, utiliza luz infravermelha para identificar substâncias estranhas à composição original da bebida.

Quando o feixe de luz incide sobre a garrafa, ele provoca agitação nas moléculas do líquido. Em seguida, um software interpreta os dados e aponta a presença de compostos adulterantes, como metanol, água adicionada ou até etanol veicular.

A pesquisa é coordenada pelo professor David Douglas Fernandes e começou a ser desenvolvida em 2023, antes do atual surto de intoxicações. O método consegue identificar adulterações em poucos minutos, sem uso de produtos químicos e com 97% de precisão.

“Foi coincidência”, diz pesquisador

Um dos integrantes do projeto, o professor Felix Brito, do Programa de Pós-graduação em Ciências Agrárias, explica que o estudo foi feito a partir da leitura de 464 amostras de cachaça — bebida tradicional da Paraíba.

“Criamos um modelo para ler os contaminantes. Pegamos 464 amostras não contaminadas e, de forma proposital, as adulteramos com metanol, água e etanol veicular. O software consegue identificar cada tipo de adulteração pela curva do gráfico”, detalha Brito.

O pesquisador afirma ainda que um modelo de equipamento portátil está sendo desenvolvido e deverá custar cerca de R$ 1 mil. A patente da tecnologia já foi registrada pela universidade.

Canudo que muda de cor

Além do equipamento, os cientistas trabalham em um canudo de baixo custo capaz de mudar de cor ao entrar em contato com o metanol.

O dispositivo, também baseado em espectroscopia NIR e imagens digitais, funciona de maneira semelhante a um teste de gravidez.

“O canudo terá um chumaço de algodão e, na parte superior, um agente indicador. Quando ele toca a bebida, a capilaridade leva o líquido até o reagente, que muda de cor. Se houver metanol, fica rosa — e o resultado é instantâneo”, explica o professor Felix Brito.

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Aplicação em larga escala

Os pesquisadores acreditam que o sistema poderá ser amplamente utilizado por órgãos de fiscalização, produtores e comerciantes, contribuindo para a segurança do consumo de bebidas alcoólicas no país.

A tecnologia foi desenvolvida com colaboração de professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq), órgão ligado ao Governo da Paraíba.

Os testes iniciais foram realizados com cachaças produzidas no estado, para avaliar se havia adulterações durante ou após o processo de fabricação.

Dessa maneira, a expectativa é que o equipamento e o canudo possam ser produzidos em larga escala e distribuídos nacionalmente, ajudando a reduzir riscos de novas intoxicações.

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Foto: divulgação