COP-30: evento de alcance global no Brasil enfrenta olhares críticos

Cientista político alerta para o risco de a COP em Belém ser lembrada mais pelos problemas do que pelos resultados.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 09/11/2025 às 11:50 | Atualizado em: 09/11/2025 às 11:50

A 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-30), realizada pela primeira vez no Brasil, chega cercada de críticas e dúvidas sobre a capacidade do país em sediar um evento de alcance global.

Entre 10 e 21 de novembro, líderes mundiais, cientistas, empresas e organizações se reunirão em Belém para discutir e definir novas metas de redução das emissões de gases de efeito estufa.

Conforme publicação deste domingo, dia 9, do R7, no entanto, à véspera da conferência, a atmosfera é de apreensão.

Problemas de infraestrutura, obras que só serão concluídas às vésperas do encontro, hotéis lotados, transporte público insuficiente e serviços sobrecarregados colocam em dúvida a capacidade da cidade de receber um evento desse porte.

Além das dificuldades logísticas, organizações e lideranças amazônicas denunciam exclusão e altos custos de participação.

Há uma percepção crescente de que as conferências climáticas têm se transformado em “cúpulas de negócios”, priorizando oportunidades econômicas em detrimento de soluções concretas para a crise ambiental.

O cientista político Gabriel Amaral, ouvido pelo R7, alerta para o risco de a COP-30 ser lembrada mais pelos problemas do que pelos resultados.

“A COP30 não é um evento ambiental apenas, mas um exercício de afirmação internacional. Quando um país assume o papel de liderança climática, ele se coloca sob um padrão mais rigoroso de observação”, afirma Amaral.

Segundo ele, a contradição entre o discurso presidencial contra os combustíveis fósseis e a autorização para exploração de petróleo na Margem Equatorial foi percebida no exterior como sinal de incoerência.

“A imagem não se desgasta pelo conteúdo do discurso, mas pela distância entre intenção e prática. Esse tipo de descompasso é rapidamente notado por outros países, por organizações multilaterais e pela imprensa internacional”, completa.

Na imprensa internacional, críticas incluem aumento dos preços de hospedagem, falta de estrutura urbana e questionamentos sobre a coerência das ações ambientais do governo federal, reforçando o clima de cautela que envolve a COP-30.

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Foto: Rodrigo Pinheiro/Agência Pará