Clã Bolsonaro vai manter vitimismo judicial em 2026
Aliados de Bolsonaro exploram embates com o STF e falhas do governo Lula para projetar sucessão presidencial.
Publicado em: 02/01/2026 às 19:14 | Atualizado em: 02/01/2026 às 19:15
O bolsonarismo vai apostar todas as suas fichas na polarização direta com o Poder Judiciário. De acordo com informações de bastidores e declarações públicas, o clã Bolsonaro decidiu ampliar as investidas contra o ministro Alexandre de Moraes, transformando negativas jurídicas em combustível para a militância e para o discurso de vitimismo e perseguição judicial (como se não tivessem cometido crime algum).
A mais recente faísca desse embate foi a decisão de Moraes de negar a prisão domiciliar a Jair Bolsonaro após sua alta hospitalar.
Carlos Bolsonaro reagiu prontamente, publicando uma carta na qual acusa o magistrado de “abuso de poder” e violação de garantias constitucionais – narrativa que a bolha bolsonarista compra sem questionar.
A estratégia discursiva de Carlos busca humanizar o ex-presidente e alertar para riscos físicos, utilizando como trunfo retórico a morte de Clezão (Cleriston Pereira da Silva), ocorrida no sistema prisional em 2023. Ao classificar a morte como consequência de um “sistema de arbitrariedade”, o filho do ex-mandatário tenta transferir a responsabilidade de eventuais danos à saúde de seu pai diretamente para as mãos de Moraes.
O contraponto jurídico de Moraes
Por outro lado, o ministro Alexandre de Moraes mantém uma postura de rigor técnico. Ele fundamenta suas negativas na ausência de novos fatos que justifiquem a soltura e, principalmente, no comportamento pregresso do réu. O magistrado cita atos concretos que visariam a fuga, incluindo a destruição dolosa de tornozeleira eletrônica e o descumprimento de medidas cautelares, como pilares para manter Bolsonaro no regime fechado na sede da PF.
A disputa por 2026 e o desconforto no Centrão
Enquanto a batalha jurídica ferve, o clã também opera no campo eleitoral. A estratégia inclui monitorar e compartilhar toda e qualquer notícia negativa sobre a gestão Lula para vender a tese de que o país precisa se “desvencilhar” do PT.
No entanto, a antecipação do jogo sucessório trouxe fissuras na base aliada:
O lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência é um movimento para garantir que o espólio político do pai permaneça com a família.
Esse anúncio desagradou profundamente os aliados do centrão, que prefeririam um nome mais moderado ou maior espaço na definição da cabeça de chapa para 2026.
O que se observa é uma tentativa deliberada de manter Jair Bolsonaro no centro do noticiário, mesmo estando preso.
Ao atacar o STF, o grupo mantém a base engajada sob a percepção de injustiça; ao atacar Lula, tenta atrair o eleitorado insatisfeito com a economia ou a gestão federal.
O grande desafio do grupo será equilibrar essa “guerra total” contra as instituições com a necessidade de manter o apoio do centrão, cujos interesses pragmáticos muitas vezes colidem com o radicalismo das redes sociais bolsonaristas.
Foto: reprodução/TV Globo
