Bolsonaro recebe alta e volta para a carceragem da PF

Ex-presidente volta à cela da PF após alta médica e negativa de prisão domiciliar pelo STF.

Barulho do ar-condicionado da prisão está perturbando Bolsonaro

Publicado em: 01/01/2026 às 18:33 | Atualizado em: 01/01/2026 às 18:33

O primeiro dia de 2026, em Brasília, começou com a expectativa de um desfecho médico que se transformou, rapidamente, em um revés jurídico para Jair Bolsonaro. Após uma semana de internação no hospital DF Star, o ex-presidente recebeu alta hospitalar e, escoltado por um comboio, retornou à sede da Superintendência da Polícia Federal (PF). Lá, ele continua a cumprir sua pena de 27 anos e três meses de reclusão.

A defesa de Bolsonaro travou uma batalha de última hora para evitar o retorno à cela. Os advogados protocolaram um pedido de prisão domiciliar humanitária, argumentando que o quadro clínico do ex-presidente, ainda em recuperação, exigia cuidados contínuos incompatíveis com a estrutura da Polícia Federal.

Entretanto, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, barrou a pretensão. Em sua decisão, o magistrado foi incisivo: os próprios laudos médicos indicavam uma “melhora dos desconfortos” após as cirurgias eletivas.

Moraes reiterou que a carceragem da PF possui plenas condições de cumprir todas as prescrições médicas e relembrou o histórico de descumprimento de medidas cautelares e o risco de fuga — citando até a destruição de uma tornozeleira eletrônica — para justificar a manutenção do regime fechado.

Do soluço à cirurgia

A estada de Bolsonaro no hospital foi mais complexa do que o previsto. Inicialmente internado para corrigir uma hérnia inguinal bilateral — condição em que o intestino se projeta por pontos frágeis na virilha —, o pós-operatório foi marcado por crises persistentes de soluço.

Para conter as contrações involuntárias do diafragma, os médicos precisaram recorrer ao bloqueio do nervo frênico.

O procedimento consistiu em aplicações anestésicas localizadas, primeiro no lado direito e depois no esquerdo, para interromper temporariamente os impulsos nervosos que causavam os espasmos.

Segundo a equipe médica, a técnica é uma medida controlada para casos onde medicamentos tradicionais não surtem efeito.

O clima na saída

Momentos antes da partida do ex-presidente, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou o hospital em um veículo separado.

De dentro do carro, ela acenou para um grupo de aproximadamente dez apoiadores que, vestidos com as cores da bandeira nacional e portando um pavilhão de Israel, entoavam críticas ao governo Lula e pedidos pela liberdade de Bolsonaro.

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Com a negativa de Moraes e a alta confirmada, o ex-presidente retoma sua rotina carcerária em Brasília, sob monitoramento da equipe de saúde da Polícia Federal, conforme determinado pela Suprema Corte.

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Foto: divulgação