Venezuelana vence Trump e ganha o Nobel da Paz 2025
María Corina Machado se torna símbolo da resistência democrática contra o autoritarismo. Comitê Nobel exalta sua “coragem e persistência” frente ao regime de Nicolás Maduro.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 10/10/2025 às 05:49 | Atualizado em: 10/10/2025 às 05:56
A ativista e líder da oposição venezuelana María Corina Machado é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025. O anúncio é do Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, nesta sexta-feira (10). Foi uma derrota ao ditador Nicolás Maduro e ao presidente dos EUA, Donald Trump, que se lançou ao Prêmio.
Havia expectativa acerca do nome do presidente norte-americano por causa das intervenções dele pelo processo de paz entre Israel e o Hamas, na Palestina.
O Comitê Norueguês do Nobel justificou a premiação como um reconhecimento à “coragem e persistência na luta pacífica por eleições livres e pelo restabelecimento das instituições democráticas na Venezuela”.
O anúncio foi feito às 11h (horário de Oslo), em cerimônia transmitida ao vivo para todo o mundo. A decisão confere a Machado uma visibilidade internacional inédita e reforça a pressão diplomática sobre o regime de Nicolás Maduro, que a impede de disputar eleições e a mantém sob vigilância constante.
“Maria Corina Machado se manteve firme frente à perseguição e às tentativas de silenciamento. Sua liderança representa milhões de venezuelanos que aspiram a liberdade e democracia”, afirmou Berit Reiss-Andersen, presidente do Comitê Nobel.
Trajetória de enfrentamento ao chavismo
Engenheira industrial de formação e ex-deputada, María Corina Machado, de 57 anos, enfrentou abertamente o chavismo desde os primeiros anos do governo de Hugo Chávez. Em 2014, foi cassada da Assembleia Nacional após liderar protestos massivos contra o regime e, pouco depois, inabilitada por 15 anos para ocupar cargos públicos.
Nos últimos anos, consolidou-se como a principal voz da oposição democrática e venceu as primárias opositoras de 2024. Contudo, ela foi impedida de concorrer oficialmente contra Maduro. Sua liderança emergiu como uma força política real, alimentada pelo descontentamento popular e por uma diáspora de mais de 7 milhões de venezuelanos.
Disputa com Trump elevou tensão política
A edição de 2025 do Nobel da Paz foi marcada por uma disputa incomum: entre uma líder da oposição em um regime autoritário latino-americano e um chefe de Estado da maior potência global. Donald Trump, em seu segundo mandato presidencial, recebeu indicação por sua mediação em acordos comerciais e pelo papel em negociações de paz no Oriente Médio.
A vitória de Machado não deixa de ser uma mensagem política direta. O comitê privilegiou a luta democrática de base e os direitos civis em contextos de repressão, em vez de uma liderança estatal com forte polarização global.
“Ao premiar Machado em vez de Trump, o Comitê Nobel reforça a tradição de reconhecer ativistas e defensores de direitos humanos — e não líderes que concentram poder”, avalia o cientista político norueguês Lars Johansen.
Impacto para a oposição venezuelana
A conquista do Nobel coloca María Corina Machado em um patamar de legitimidade internacional raramente alcançado por opositores políticos da América Latina. O prêmio pode:
• – Ampliar a pressão por negociações políticas e eleições livres;
• – Fortalecer redes internacionais de proteção à líder e a ativistas locais;
• – Aumentar o custo político de novas medidas repressivas do regime de Maduro.
Apesar disso, especialistas alertam que o prêmio não altera automaticamente a correlação de forças internas no país. Machado segue impedida de concorrer, e o regime mantém controle sobre o Judiciário, Forças Armadas e instituições eleitorais.
Linha do tempo: María Corina Machado
• – 2002 — Cria a ONG Súmate, voltada à fiscalização eleitoral.
• – 2004 — Lidera campanha pelo referendo revogatório contra Chávez.
• – 2010 — Eleita deputada federal.
• – 2014 — Cassada e inabilitada politicamente.
• – 2024 — Vence primárias opositoras para as eleições presidenciais.
• – 2025 — Recebe o Prêmio Nobel da Paz, superando Donald Trump.
Nobel da Paz: um prêmio com peso simbólico
O Prêmio Nobel da Paz é tradicionalmente concedido a defensores de direitos humanos, ativistas democráticos e organizações de impacto global. Nos últimos anos, premiou figuras como a jornalista filipina Maria Ressa (2021) e o dissidente bielorrusso Ales Bialiatski (2022).
A escolha de Machado sinaliza que o comitê mantém a prioridade em valorizar lutas pacíficas contra regimes autoritários. Para a América Latina, representa um dos maiores reconhecimentos políticos internacionais desde a premiação de Adolfo Pérez Esquivel, em 1980, por sua resistência à ditadura argentina.
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Foto: reprodução/redes sociais
