Tarifaço dos EUA: Marina rechaça uso do meio ambiente para punir Brasil

A ex-ministra do Meio Ambiente afirmou que as acusações são “especialmente absurdas”, pois, desde 2023, o Brasil retomou o combate ao desmatamento e ao garimpo ilegal

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 16/07/2026 às 14:19 | Atualizado em: 16/07/2026 às 14:19

Ex-ministra do Meio Ambiente, a deputada federal Marina Silva (Rede-SP) diz ser inaceitável o governo de Donald Trump utilizar a política ambiental brasileira como pretexto para punir o país com tarifas de 25% sobre produtos.

O governo daquele país diz que, apesar de marcos legais para combater o desmatamento, o Brasil falhou em aplicá-los de forma eficaz durante anos.

Maria afirmou que as acusações são “especialmente absurdas”. Ela lembrou que, desde 2023, o Brasil retomou o combate ao desmatamento, ao garimpo ilegal, aos crimes contra as florestas, aos povos indígenas e as comunidades tradicionais.

A pré-candidata ao Senado lembrou que o governo reestruturou a política ambiental, fortaleceu a fiscalização e voltou a reduzir a destruição dos biomas.

“O desmatamento da Amazônia atingiu o menor patamar em uma década e, no Cerrado, alcançamos o menor índice desde 2021”, recorda.

“Tudo fruto dos planos de prevenção e controle ampliados para todos os biomas, reforço das equipes de fiscalização ambiental e destinação de mais recursos para combater os crimes ambientais, além da ação integrada de todos os órgãos de proteção ambiental”, acrescenta.

Segundo ela, transformar esse esforço reconhecido internacionalmente em justificativa para sanções comerciais é distorcer os fatos e desrespeitar o papel que o Brasil exerce na agenda climática global.

Ataque

A ex-ministra do Meio Ambiente argumentou que o Brasil está sob ataque econômico movido por interesses políticos, ideológicos e eleitorais.

“Trata-se de uma ação política que ameaça empregos, renda, empresas e cadeias produtivas dos dois países. Os números desmentem qualquer alegação de tratamento comercial injusto por parte do Brasil”, argumenta.

A ministra explicou que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil.

“Somente em 2025, 76% dos produtos norte-americanos importados pelo Brasil entraram sem pagar tarifa, e a alíquota média efetivamente aplicada foi de apenas 3,1%”, afirma.

Para ela, também não é possível ignorar que 63 das 78 manifestações apresentadas nas audiências públicas realizadas pelo órgão de comércio dos EUA foram contrárias ao tarifaço.

“A própria maioria dos representantes do setor privado brasileiro e norte-americano rejeitou uma medida que prejudica empresas, trabalhadores e consumidores dos dois lados”, observa.

Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil