PGR diz ser fácil compreender que Bolsonaro tentou dar golpe
Gonet afirmou que quando o presidente e depois o ministro da Defesa convocam a cúpula militar para apresentar documento de formalização de golpe de Estado, o processo criminoso já está em curso
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 02/09/2025 às 13:49 | Atualizado em: 02/09/2025 às 13:49
O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, disse que não é preciso esforço intelectual para entender que Jair Bolsonaro e o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, convocaram a alta cúpula militar para dar um golpe de Estado, mas não foram bem-sucedidos.
“Não é preciso esforço intelectual extraordinário para reconhecer que quando o presidente da República e depois o ministro da Defesa convocam a cúpula militar para apresentar documento de formalização de golpe de Estado, o processo criminoso já está em curso”.
Em depoimento à Polícia Federal (PF), o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército no último ano do governo Bolsonaro, confirmou que foi apresentado à minuta golpista pelo próprio Bolsonaro e Paulo Sergio.
Para complicar ainda mais a situação de ambos, Freire Gomes disse ainda, que existia uma segunda minuta, eclipsada pela primeira, mas igualmente reveladora das intenções de Bolsonaro.
“Houve a apresentação do plano de golpe pelo comandante-maior das Forças Armadas, o próprio presidente da República, e pelo ministro de Estado da Defesa”, afirma.
Gonet lembrou que, na ocasião, houve adesão do comandante da Marinha, enquanto Aeronáutica e Exército “resistiram às pressões, sendo alvo de campanha difamatória e de mobilização social”.
“Houve um combinado de atos orientados a consumar um golpe de Estado que desnaturaria o Estado Democrático de Direito, atingindo o respeito à escolha livre dos cidadãos”, conclui.
Foto: Reprodução/Vídeo/BNC
